As imaginações são inócuas, fruto da única e mais profunda inocência que existe dentro de nós.
É no confronto com a realidade que elas se mostram corrosivas, severas ou caprichosas.
Tal como o comum resultado de uma batalha, em que existem sempre vítimas, deixem que vos confesse que nesta em especial somos sempre nós, e que parte daquilo que de melhor nos preenche é dilareçado com uma violência suprema que transpõe qualquer universo conhecido.
quinta-feira, julho 28
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 03:40
quinta-feira, maio 12
Desaforo da espera, comboio que nunca mais chega
Porque é que me sinto tão mal quando penso que posso ser frio contigo quando o que já me fizeste sentir foi ainda pior e mais gélido?
Só esse triste fim é que te vai dar a noção
e a mim
do que eu valho, e poderei valer o meu peso em ouro quando comparares o futuro que perdeste com o passado que não queres largar, com a estátua de bronze que colecionas à já alguns dias.
Poderei ter tempo mas não quero um fim assim e muito menos um começo deste género.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:02
quinta-feira, maio 5
5 euros e não se fala mais nisso (poética do desentendimento)
Tenho imensa coisa na cabeça hoje em dia. Organizem uma feira de pensamentos e emoções e providenciem-me um espaço para poder expor os meus trapos mentais e de certeza que não se arrependerão. Terão de tudo a preços competitivos e com um bocado de lábia até são capazes de levar alguma coisa de borla, vejam lá se a fartura não é tanta.
Tenho imensa coisa na cabeça hoje em dia que é um desperdício eu não quer fazer nada com ela, portanto ao menos que alguém as use para seu proveito.
Estão demasiado comprimidas essas coisas, entre elas parece que perderam o sentido, que não se conseguem definir percebem?
Sinto-me em liquidação total, vendo tudo, dou tudo, não quero ficar com nada.
Tenho imensa coisa na cabeça hoje em dia e tenho muito mais ainda na alma, mas uma coisa de cada vez.
Não me deixem sem roupa assim de repente.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:48
terça-feira, abril 26
Vi um filme recentemente, leve, daqueles do género de domingo à tarde mas um bocado melhor. Não tinha grande história porém houve uma certa passagem que me fez reflectir e ficar a pensar nisso durante uns tantos dias. Resumindo muito rapidamente o filme, diga-se que a história anda em torno de um triângulo, prisma ou paralelipipedo amoroso, onde um rapaz está prestes a casar-se com alguém que não o cativa, sobre os olhos atentos de quem realmente gosta e o faz respirar e escrever. Engraçado que a dada altura este foge por uns momentos com o "seu mais que tudo", que só por acaso é dama de honor da respectiva noiva, e nessa rapidinha conseguem proferir uns quantos argumentos que me fizeram questionar a mim próprio. Não percebi exactamente se ambos eram escritores, mas a verdade é que ambos confessam que o que os fazia escrever e o que os inspirava era o que existia entre eles, o que conseguiam dizer um sobre o outro. Passam-se mais umas cenas e chega o momento exacto do casamento, e na altura da troca dos "votos" o talentoso escritor não consegue dizer nada sobre a noiva, absolutamente nada.
Eu sei precisamente para quem escrevo e o porque escrevo e pergunto-me, será que conseguia escrever para mais alguém?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 12:24
quarta-feira, abril 20
Os lamentos da certeza
Lá está, juntámos o raciocínio ao sentimento. Tudo o que disse da minha parte foi sincero, da tua foi da boca para fora. Argumentas que não dizes nada sem teres a certeza do que falas o que não te impede no entanto de o dizer. Vá, não cai mal e sempre se vai aguentado a situação. Usas uma verdade para contar uma mentira, significa que no final das contas aprendeste a fazer o somatório das circunstâncias. Metendo as contas de lado, já que os trocos pouco me dizem, concentremos-nos nas boas razões que existiram para fazer do mundo uma coisa doce, ou os poucos cêntimos que restam dele na economia do sentido.
Foi um amor do caraças!
Foi magnífico e nunca atingiu o máximo na sua plenitude.
Rimo-nos imenso, chorámos também, mas poderíamos ter feito ainda mais.
Tive de aceitar
aceitar não, tive de tomar como facto
que já existia alguém antes e agora tenho de de encaixar que já existe alguém para depois.
Um outro amor, muito superior a este
e tenho de me aguentar para não ir abaixo, porque quando estamos emaranhados neste fio de ouro esquecemos-nos que valemos mais que este pedaço de moeda ou peça de troca.
Não podemos julgar que só existe esta bolsa e não é prudente meter tudo em cima da prateleira e despachar logo a mercadoria sentimental
Em boa verdade nunca fui muito bom economista e sempre me fascinei por um ou outro mercado, então contigo dei quase sempre o melhor
Mas o melhor neste tipo de amor não tem uma cota muito avultada e já encontraste produto melhor no mercado internacional
Não se pode competir justamente nestas coisas à escala global
Ainda assim foi um amor do caraças, julguei crer
e enquanto uma pessoa não cresce ainda crê em muito
e tudo o que são crenças elevadas ao "expoente da loucura" dão em recalcamentos brutais
e a infindáveis lamentos da certeza que tudo teria de caminhar para um fim.
Digo isto ao som de uma canção mas resta-me saber se a sinfonia do teu instrumento toca ao mesmo ritmo
desejo profundamente que não seja o caso
No entanto não fico para assistir a essa tipo de concerto, mas oferece-me o bilhete que já é de bom tom.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:32
terça-feira, abril 19
Interregnos do amor
Estou convicto que só um grande amor pode ser capaz de criar tamanha tristeza.
Na ausência do primeiro, quando este parte para lutar nas fronteiras do sonho e da realidade, predomina um ser ou um sentir que é rigorosamente composto pelo nada, pelo vazio.
Esse algo é mais que um sentimento, é uma razão
e muitas vezes um conjunto delas
o que torna estranhamente estranho ser sensível e ser racional ao mesmo tempo.
Estou convicto que só um grande amor pode ser capaz de criar essa enorme tristeza
como estou convicto que se alguém é responsável pela primeira será igualmente responsável pela segunda.
Os interregnos do amor têm destas coisas
infortúnios semelhantes às dinastias de outrora, sucumbidas na desigualdade das batalhas.
Caiu por fim de joelhos a valente bandeira.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:25
quarta-feira, abril 13
Quem faz perguntas obtém respostas...
... e foi por isso que sempre tive algum receio de as colocar na mesa, ao género de um cartomante que defronte das cartas se prepara para as virar e com as suas palavras tirar a roupa ao destino. Posso dizer que a suspeita era grande mas não andava de mãos dadas com a curiosidade ou interesse. Não ganharia nada em fazer perguntas, pensava eu, porém confesso que não tinha ainda a noção do que estava a perder
e perder pode não ser o mais adequado para esta conversa até porque há termos bem mais carregados de sentido
Devassidão seria um deles
Libertagem ou depravação de costumes, sinónimos à letra, que afinal fazem ou fizeram parte de ti.
A petulância das tuas acções vestiu-se a rigor para a fotografia das tuas expressões, e ficaram bem, ao ponto de fazerem parte da eternidade
adoravelmente minha.
Não creio em visionários de alguma espécie ou em juízes de praça, no entanto não fui eu quem fez as perguntas, mas fui eu que levei com respostas que me mancharam a vista e deixaram o destino com aspecto de alguém que acabou de ser violado.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 11:49
segunda-feira, março 28
O Óscar
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:54
segunda-feira, março 14
Ensaio ao cíume
Não foi nada do outro mundo ou algo que eu já não esperasse mas também não havia necessidade para tanto.
Irrompeu pelo quarto a dentro como já o tinha feito algumas vezes
outrora creio
Entrou, e ao contrário daquelas pessoas que partem convictas de que têm uma palavra a dizer sobre determinado assunto e no momento em que se confrontam com o seu interlocotor perdem a coragem e ficam totalmente estáticas, o Lorde Ciúme soltou o discurso como se de cães de guarda se tratasse, seguro de que defenderiam o seu juízo e entendimento
destemidamente
Pois diz-me como é que és capaz de aturar esta situação. Sinto-me perplexo quando te vejo aí deitado como se tivesses acampado no abrigo daquele que está prestes a ganhar a guerra. Estou pronto a explodir e ainda mais me enerva ver-te tão sossegado.
Não te sentes injustiçado, não te sentes insignificante, não te sentes traído
Traído!
Tudo fizeste para estar daquele lado, teres aquele papel e muito correcto foste em diversas circunstâncias e deixaste-te estar à margem, à espera da decisão, mas sempre houve uma ponta de insurreição, de anti-conformismo.
Conformaste-te, não vejo outra explicação
Desistes não é verdade?
Cobarde
Defende-te perante mim, ao menos, já que não és capaz de te defender perante a trivialidade da vida, contra o banalismo vergonhoso, contra o descrédito.
Fiquei sentado na cama, com a manta por cima do meu corpo, a olhar para aquela figura que por muito se esforce por maquilhar, por se disfarçar, acaba por se revelar sempre a mesma, com as mesmas expressões. Decidi prolongar o vazio entre o tempo da pergunta e o da resposta, como quem quer dar o ar de que realmente estava a assimilar tudo o que se dissera antes e que me preparava agora para dar inicio à minha estratégia de defensa. Dei o ar mas já tinha a lição sabida de outros momentos
Ouve lá, não tens fome? Gostava de comer alguma coisa, respondi, desviando claramente a conversa para aquilo que era para mim no momento uma necessidade, uma verdadeira preocupação
Estava-me a cagar para aquela conversa
Eu não compreendo porque vim viver contigo durante este tempo todo, suspirou o Lorde.
Porque é que me queres aqui se não me prestas atenção, se me gozas com esse desplante, com esse à vontade, disse enquanto dava meia volta e retirava-se do quarto, esmorecido, como um cão que gane aos ouvidos do dono.
Assim que saiu levantei a manta e os lençóis.
Podes sair, disse eu.
Ainda bem que ele não te viu senão seria mais difícil explicar-lhe que ele, tal como outros que já aqui residiram, fazem parte de mim.
Acho que ele realmente entraria num rodopio de loucura se me visse contigo, disse matreira a Confiança.
Possivelmente. Ele nunca vai perceber
Afinal de contas uma pessoa vai para a cama com quem quer.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:08
quinta-feira, fevereiro 10
Não sei como o fazes.
Mais ainda, não sei como o fizeste.
Se fosses minha mãe com certeza que o terias feito enquanto me tinhas no teu ventre,
portanto como é que o conseguiste?
A verdade é que eu sei que está lá,
aquela caixa
perto daquilo que me faz correr o sangue,
que me faz correr o sangue e que me alimenta a vida,
e por vezes a morte.
Está lá,
aquela caixa com o teu nome gravado,
que eu quero abrir e que nem a porrada ela se desmancha.
Nem quando bato forte com o peito no calhau que geraste,
na pedra mole que não sei se alguma vez se partirá mas que quero ver partida.
Se tiveres vontade de a ver-se desmanchar já é um começo.
A verdade é que faz parte de mim,
esse segredo que é teu.
Vá lá conta-me,
como é que me fizeste gostar tanto assim de ti?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:09
sábado, janeiro 1
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:16
terça-feira, dezembro 14
Provérbios
Os provérbios ditos ao desbarato pecam sempre pela falta de informação.
"Tanto dás uma no cravo como dás outra na ferradura" a meu ver é pouco esclarecedor. Que desta frase se entenda que a pessoa em causa tanto é ceerteira e convicta numa ideia como noutra ainda é naquela, agora resta saber em que cavalo é que prega o seu juízo e onde é que ele para.
Eu quero crer que o animal, esse, ainda ande a correr por essa pradaria fora mas não tardará a prostar as suas patas ao sabor da ocasião. Quanto ao burro, que podendo parecer que não é a meu ver aquele que mais vezes é chamado à conversa, esse, esse não precisa de atifícios para ir comer palha a outro lado.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:05
terça-feira, dezembro 7
Ando demasiado adormecido para dizer que durmo. Dizer que se pratica o sono exige dizer que se pratica também o inverso, o que obrigaria dizer que abri os olhos e vi perfeitamente que tu nunca gostarás de mim, que te diriges para longe desviando-te de todos os pedaços do amor que sinto por ti e que uso para impedir que te afastes a uma velocidade feroz.
Ando demasiado adormecido para dizer que durmo e enquanto durmo para dizer que ando adormecido, adormeço o dormir que é dormir sem ti ao meu lado. Não quero despertar e ver-te embarcar na viagem a que tens direito, deixando comigo o dever que é deixar-te partir, deixando comigo a bagagem de dor que nunca conseguirei desfazer.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:55
terça-feira, novembro 23
Acordo na minha cama e olho para o lado e oiço mais do que vejo, cheiro mais do que sinto. O teu perfume paira no ar e oiço a tua voz como se me sussurrasses ao ouvido. Sinto uma certa confusão latente na minha cabeça que não me deixa perceber em que estado da realidade me encontro.
Estranha a vida que tende a juntar elementos para fazer deles uma única coisa, tal como as gotas de água que nunca se tocam mas fazem a chuva, tal como os raios de luz que caminham solitários pelo espaço mas fazem o sol. Parece-me mais saborosa a morte que ao menos nos junta a todos no mesmo sítio, extinguindo a distâncias, fuzilando aquilo que me separa de ti.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 12:23
quinta-feira, outubro 28
Diria que tem piada. Acho que por instantes até senti desabrochar um sorriso na minha cara.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:45
Plantação de enganos
Hum... Não sei, não estarei minimamente convencido. Podem-me muito bem estar a enganar, e já lá vão uns meses que me cultivam esse terreno do descrédito. Ora plantam o desengano, ora fazem florescer a certeza mas de fruto não se vê trincar nada. Será sempre assim ou é simplesmente culpa do clima... em que vivias aqui pelo menos.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:33
quarta-feira, junho 9
Desculpas
Gostava de pedir desculpa muitas vezes, se tu também fosses capaz de o fazer. Mas tens tu culpa de alguma coisa? Não. Não serias capaz de assumir tal coisa. Não é por falta de coragem, mas porquê te dares ao esforço.
O ser amorfo chegou ao pé de mim e disse: Não vês que sou uma desilusão?
Não, não ando sempre de olhos abertos. Não pensava que precisa de olhos para te ver. Pensava que eras algo de extraordinário, e esses algos não se vêm por tais instrumentos. Mas tu podias ser tanta coisa, porque não o és?
Eu sou, nada para ti.
E não passaras do nada pois não?
Não!
Não te chateies, vazia já tu te sentes e no entanto apresentas-te cheia! Pois bem, rebenta então... Já não estou cá para juntar as peças e sinto-me mal por te dizer isso, mas tu também já não tens desculpa sabes?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:44
terça-feira, maio 18
Eu não vejo o afecto como uma necessidade, vejo-o como um inutilidade maravilhosa, e é por essa falta que me vejo de pé encostado à porta, à espera do que virá...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:27
segunda-feira, maio 17
Não tragam para aqui o orgulho agora. Deixem-no preso a outro poste, a latir se for essa a sua vontade porque também não é necessário amordaça-lo. Ele vai-se calar e eventualmente acabará por morder, e que vos morda a picha ou a rata para metermos a questão da virilidade já de parte.
Vá, cometam esse crime, o de dizer essas palavras. Corram a ser julgados na praça pública, sejam enxovalhados, baixem a cabeça de vergonha, sintam-se a pior merda por não o ouvirem de volta, desfaleçam perante a indiferença, mas que não se atrevam a de dizer eu amo-te. A sociedade é capaz de não vos perdoar por essa, e eu não quero ser acusado de instigador de tal motim! Vai-se a ver e o paraíso ainda é a terra não?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:46
sexta-feira, maio 14
Onde queres que vá se estou aqui, se ainda à um minuto me viste aqui, e daqui a dois ainda me verás, respondi estupefacto com a pergunta.
Tenho sempre a impressão que estás pronto para te ir embora, disse, ao mesmo tempo em que retirava os chinelos dos pés e cruzava as pernas na cadeira.
Repara, quantas cadeiras vês tu aqui, nesta sala escura da tua cabeça?
Duas, respondeu de língua afiada.
Pois bem, e como bem observas existem duas. Uma em que estás tu sentada e outra onde estou eu. Não existe mais nenhum sítio iluminado nesta divisão e tu já me disseste que esta cadeira está ocupada, portanto quando me levantar daqui não é para me dirigir a algum lado, mas para desaparecer na penumbra não, e arregalei os olhos como forma de acentuar o meu ponto de vista.
E não haverá mais cadeiras?
Possivelmente, disse-lo depois de dar uma vista de olhos rápida ao local. Mas está tudo muito escuro e cheio de coisas, não tenho a certeza.
Não sei como acender a luz. Se calhar não estamos na minha cabeça, mas sim na tua, afirmo-o de tal forma que essa afirmação sim, era capaz de iluminar o universo inteiro e fazer do sol uma estrela insignificante.
Não faço ideia. Cá para mim isto é tudo fruto de uma história mal contada.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 18:31