João, para onde estás a olhar? Joãoooo
Estou a olhar para aquele casal de pessoas. Observo uma situação comovente, uma realidade não muito distante, leve e pesada como talvez um filme do Iñarritu
O que é?
São duas pessoas que parecem gostar muito um do outro mas que a falta de cumplicidade e partilha a modos que condenou um qualquer espaço de relação. Dá a sensação que até este ponto o que lhes faltou foi falar das suas diferenças, das suas preocupações, dos seus medos mais comprometedores, e agora que parece que o estão a fazer sopra o vento cruel da vida a separá-los. Há uma certa pressão atmosférica presente vinda não se percebe de onde
Sabes que a vida nunca teve modos e é um bocado intrometida não sabes? Não queres fazer disto algo dramático pois não?
Claro que não. Mas não consigo deixar de tentar entender. Fico com o pressentimento que algo está errado e que o futuro não terá o mesmo sabor um sem o outro, que existe algo que os sufoca pelo meio e que às tantas é por falta de coragem que não é combatido. Esperam que assim seja melhor sei lá. Quando não consegues explicar porque gostas de alguém, é porque essa pessoa é seriamente importante para ti a um nível incompreensível e extraordinariamente bonito
As pessoas acreditam naquilo que querem, e pior ainda é que por vezes obrigam-se a ser crentes ou a situação ou alguém assim as obriga. Anda, temos de ir embora. Não vais conseguir explicar o que não se pode comprrender
O que lhes vai acontecer Óscar?
Não sei João, não sei. Pega na mala e vamos que a viagem é longa
quinta-feira, setembro 1
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 02:03
terça-feira, agosto 30
A brincar com os animais lá de casa!
Fico triste quando perco pessoas que gosto muito, já que eu não gosto assim de tanta gente. Não terá somente a ver com quem se perde, mas com o que tu perdes de ti próprio. Ninguém tem o direito de nos magoar, e se é feito de uma forma desonesta pior ainda, mas não é o caso. Lamento o mundo não ser mais justo para que as coisas se tivessem proporcionado de outra forma e que tivéssemos tido hipótese de não ter morto a coisa deste género, à facada.
Facada foi precisamente isso que me espetaram no coração. Um facada com uma lâmina onde se podem ler as palavras escritas "foste um erro enorme" e "nunca estive apaixonada por ti".
Enquanto observo o sangue a escorrer-me pelo peito abaixo percebo que as paixões são normalmente feitas a um, não vêem aos pares. Comparo a situação áquilo que as crianças fazem por vezes aos animais. Dão-lhes umas pauladas porque é divertido até que o animal morre. Abismadas e irritadas pegam nele, abanam-o e gritam mexe-te, porque não te mexes? Mãe, o bolinhas deixou de se mexer.
Pois eu choro pelo animal, por aquilo que morre. Não vale a pena fazer-lhe respiração boca a boca que o bicho não se volta mexer mas tenho a certeza que o próximo espécie não será muito diferente deste, mas enquanto houver animais em casa não se compra mais nada, diz a mãe.
Porém paremos para pensar, o que é que a criança sabe do animal para poder ter outro igual? Quantas vezes brincou com ele? Quando foi a última vez que isso aconteceu?
O que é que sabes sobre mim se já não me vês à tanto tempo? Porque é que apesar de estares tão convicta nas tuas decisões, embora nada tenha corrido como pensaste, existe algo que te faz pensar em mim? Porque é que ainda há saudades? Saudades do quê?
Não fazes ideia e também não vale a pena pensar mais nisso. Não tens culpa e deixemo-nos já de excesso de dramatismos. Além de ti houve montes de pessoas que fizeram por ta meter na mão e disseram mata mata. Quando chegaste já cá estava à tua espera, em cima da mesa, e em vez de ter dois nomes só tinha um para facilitar a coisa, não te fosses tu enganar.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 12:02
Recordo-me das coisas boas.
Lembro-me da primeira vez que estive contigo, no sofá de minha casa. Tenho um álbum de fotografias tuas na minha memória, de grande parte dos teus gestos, de quase todos os teus movimentos.
Considerei esse momento como um ponto de partida. Acreditei que teríamos criado um elo e que nos preparávamos então para descobri-lo e vivo-lo. Entre o que se acredita e o que a realidade aspira vão um conjunto disperso de cheiros e sabores, e talvez saberes.
O teu passado meteu-se à mistura e disse porque é que te estás a meter com ele e não ficas comigo? Eu é que estive lá nos teus momentos mais difíceis, achas justo deixares-me assim?
Parece que não achaste e continuaste assim por ai além, a seguires-te sempre pelas suas palavras, sem me explicares ou me dares um cartão de visita dessa tua situação.
Como disseste uma vez e muito bem, existem modelos. Esses modelos só deixam de existir quando são descontinuados e surgem outros melhores. Ora de para além trazeres contigo modelos muito antigos, peças de colecção, não há de todo qualquer comparação possível comigo.
Sou de série única, não existem muitas reproduções de mim espalhadas por esse mundo fora logo não me podes tirar as medidas.
Recordo-me das coisas boas, passados inacabados onde existiu o desejo mas onde a razão foi sempre mais forte. Sim, não podes nem queres largar com quem estás à tanto tempo e por isso e muito mais, descartas-me. Só aquela pessoa te faz feliz, só por ela é que choras e ficas triste quando a deixas, e se na realidade assim não o é, alguém o faz crer que seja.
Por isso recordo-me das coisas boas que foram para mim, porque para ti só há memória de terem sido grandes erros.
Recordo-me...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 11:04
terça-feira, agosto 16
Não pode ser suor, não pode ser odor, mas é algo que me ofende a narina.
Existe uma certa textura que preenche o ar que me leva a pensar em coisas ditas deprimentes.
Eu não sou assim.
Não é isso com certeza que se quer transformar do meu pensamento.
Como é possível que essa linguagem tenha predominância ou prioridade nas palavras que fazem fila para sair da minha boca?
Como é que coisas que me ocorrem como és tu que fazes do meu ver e sentir algo equilibrado, em perfeita sintonia com o simples preto e o simples branco, pode-se tornar em algo negativo e ser visto como algo triste.
Como é que as formas que encontro para dizer que gosto de ti se relevam sempre inoportunas e deslocadas, quando na realidade apenas se pretende elevar essa palavras em toques e trocas de carícias.
Se a imaginação tivesse sempre a sua representação feita em palavras seria possivelmente uma péssima dramaturga. Pois isto não é um drama... São sinceras manifestações entre duas pessoas que se recusam a fazer disto uma bela pintura.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 02:20
segunda-feira, agosto 15
Invenções do Homem
Existe quem defenda que o tempo é uma invenção do homem. Usamo-lo normalmente contra nós, para criar angústias, para despertar ansiedades, para dissimular e diminuir a alegria, contabilizando os minutos que faltam para ela terminar ou pior ainda, para dizer por quanto tempo ela durou.
O tempo, já eu sabia, é um inimigo.
Sempre o foi, contudo julguei que ao ignorá-lo era capaz de o deixar mais fraco, mais inerte, recortar a sua cara e colar a tua e elevá-lo até à eternidade.
Olha pois merda, cheguei tarde demais para fazer parte da tua vida e e cedo demais para me poderes dar uma hipótese de amar, e às vezes parece que ainda olhas para mim como se eu tivesse a culpa, fazendo por me descartar ao minuto.
Não tão cruel como contabilizar a alegria, é contar as horas de tristeza. Dar espaço à dor, essa coisa que realmente inventámos nós, é desonesto e injusto no que se trata a eu e tu.
Porém a vida continua ao sabor do relógio, com tudo o que nos espera e aguarda de bom, com minutos, horas, dias e talvez semanas, e pergunto-me, por quantos anos será que vou eu viver a pensar que nunca tive o direito de te ter?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:53
quinta-feira, julho 28
As imaginações são inócuas, fruto da única e mais profunda inocência que existe dentro de nós.
É no confronto com a realidade que elas se mostram corrosivas, severas ou caprichosas.
Tal como o comum resultado de uma batalha, em que existem sempre vítimas, deixem que vos confesse que nesta em especial somos sempre nós, e que parte daquilo que de melhor nos preenche é dilareçado com uma violência suprema que transpõe qualquer universo conhecido.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 03:40
quinta-feira, maio 12
Desaforo da espera, comboio que nunca mais chega
Porque é que me sinto tão mal quando penso que posso ser frio contigo quando o que já me fizeste sentir foi ainda pior e mais gélido?
Só esse triste fim é que te vai dar a noção
e a mim
do que eu valho, e poderei valer o meu peso em ouro quando comparares o futuro que perdeste com o passado que não queres largar, com a estátua de bronze que colecionas à já alguns dias.
Poderei ter tempo mas não quero um fim assim e muito menos um começo deste género.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:02
quinta-feira, maio 5
5 euros e não se fala mais nisso (poética do desentendimento)
Tenho imensa coisa na cabeça hoje em dia. Organizem uma feira de pensamentos e emoções e providenciem-me um espaço para poder expor os meus trapos mentais e de certeza que não se arrependerão. Terão de tudo a preços competitivos e com um bocado de lábia até são capazes de levar alguma coisa de borla, vejam lá se a fartura não é tanta.
Tenho imensa coisa na cabeça hoje em dia que é um desperdício eu não quer fazer nada com ela, portanto ao menos que alguém as use para seu proveito.
Estão demasiado comprimidas essas coisas, entre elas parece que perderam o sentido, que não se conseguem definir percebem?
Sinto-me em liquidação total, vendo tudo, dou tudo, não quero ficar com nada.
Tenho imensa coisa na cabeça hoje em dia e tenho muito mais ainda na alma, mas uma coisa de cada vez.
Não me deixem sem roupa assim de repente.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:48
terça-feira, abril 26
Vi um filme recentemente, leve, daqueles do género de domingo à tarde mas um bocado melhor. Não tinha grande história porém houve uma certa passagem que me fez reflectir e ficar a pensar nisso durante uns tantos dias. Resumindo muito rapidamente o filme, diga-se que a história anda em torno de um triângulo, prisma ou paralelipipedo amoroso, onde um rapaz está prestes a casar-se com alguém que não o cativa, sobre os olhos atentos de quem realmente gosta e o faz respirar e escrever. Engraçado que a dada altura este foge por uns momentos com o "seu mais que tudo", que só por acaso é dama de honor da respectiva noiva, e nessa rapidinha conseguem proferir uns quantos argumentos que me fizeram questionar a mim próprio. Não percebi exactamente se ambos eram escritores, mas a verdade é que ambos confessam que o que os fazia escrever e o que os inspirava era o que existia entre eles, o que conseguiam dizer um sobre o outro. Passam-se mais umas cenas e chega o momento exacto do casamento, e na altura da troca dos "votos" o talentoso escritor não consegue dizer nada sobre a noiva, absolutamente nada.
Eu sei precisamente para quem escrevo e o porque escrevo e pergunto-me, será que conseguia escrever para mais alguém?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 12:24
quarta-feira, abril 20
Os lamentos da certeza
Lá está, juntámos o raciocínio ao sentimento. Tudo o que disse da minha parte foi sincero, da tua foi da boca para fora. Argumentas que não dizes nada sem teres a certeza do que falas o que não te impede no entanto de o dizer. Vá, não cai mal e sempre se vai aguentado a situação. Usas uma verdade para contar uma mentira, significa que no final das contas aprendeste a fazer o somatório das circunstâncias. Metendo as contas de lado, já que os trocos pouco me dizem, concentremos-nos nas boas razões que existiram para fazer do mundo uma coisa doce, ou os poucos cêntimos que restam dele na economia do sentido.
Foi um amor do caraças!
Foi magnífico e nunca atingiu o máximo na sua plenitude.
Rimo-nos imenso, chorámos também, mas poderíamos ter feito ainda mais.
Tive de aceitar
aceitar não, tive de tomar como facto
que já existia alguém antes e agora tenho de de encaixar que já existe alguém para depois.
Um outro amor, muito superior a este
e tenho de me aguentar para não ir abaixo, porque quando estamos emaranhados neste fio de ouro esquecemos-nos que valemos mais que este pedaço de moeda ou peça de troca.
Não podemos julgar que só existe esta bolsa e não é prudente meter tudo em cima da prateleira e despachar logo a mercadoria sentimental
Em boa verdade nunca fui muito bom economista e sempre me fascinei por um ou outro mercado, então contigo dei quase sempre o melhor
Mas o melhor neste tipo de amor não tem uma cota muito avultada e já encontraste produto melhor no mercado internacional
Não se pode competir justamente nestas coisas à escala global
Ainda assim foi um amor do caraças, julguei crer
e enquanto uma pessoa não cresce ainda crê em muito
e tudo o que são crenças elevadas ao "expoente da loucura" dão em recalcamentos brutais
e a infindáveis lamentos da certeza que tudo teria de caminhar para um fim.
Digo isto ao som de uma canção mas resta-me saber se a sinfonia do teu instrumento toca ao mesmo ritmo
desejo profundamente que não seja o caso
No entanto não fico para assistir a essa tipo de concerto, mas oferece-me o bilhete que já é de bom tom.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:32
terça-feira, abril 19
Interregnos do amor
Estou convicto que só um grande amor pode ser capaz de criar tamanha tristeza.
Na ausência do primeiro, quando este parte para lutar nas fronteiras do sonho e da realidade, predomina um ser ou um sentir que é rigorosamente composto pelo nada, pelo vazio.
Esse algo é mais que um sentimento, é uma razão
e muitas vezes um conjunto delas
o que torna estranhamente estranho ser sensível e ser racional ao mesmo tempo.
Estou convicto que só um grande amor pode ser capaz de criar essa enorme tristeza
como estou convicto que se alguém é responsável pela primeira será igualmente responsável pela segunda.
Os interregnos do amor têm destas coisas
infortúnios semelhantes às dinastias de outrora, sucumbidas na desigualdade das batalhas.
Caiu por fim de joelhos a valente bandeira.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:25
quarta-feira, abril 13
Quem faz perguntas obtém respostas...
... e foi por isso que sempre tive algum receio de as colocar na mesa, ao género de um cartomante que defronte das cartas se prepara para as virar e com as suas palavras tirar a roupa ao destino. Posso dizer que a suspeita era grande mas não andava de mãos dadas com a curiosidade ou interesse. Não ganharia nada em fazer perguntas, pensava eu, porém confesso que não tinha ainda a noção do que estava a perder
e perder pode não ser o mais adequado para esta conversa até porque há termos bem mais carregados de sentido
Devassidão seria um deles
Libertagem ou depravação de costumes, sinónimos à letra, que afinal fazem ou fizeram parte de ti.
A petulância das tuas acções vestiu-se a rigor para a fotografia das tuas expressões, e ficaram bem, ao ponto de fazerem parte da eternidade
adoravelmente minha.
Não creio em visionários de alguma espécie ou em juízes de praça, no entanto não fui eu quem fez as perguntas, mas fui eu que levei com respostas que me mancharam a vista e deixaram o destino com aspecto de alguém que acabou de ser violado.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 11:49
segunda-feira, março 28
O Óscar
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:54
segunda-feira, março 14
Ensaio ao cíume
Não foi nada do outro mundo ou algo que eu já não esperasse mas também não havia necessidade para tanto.
Irrompeu pelo quarto a dentro como já o tinha feito algumas vezes
outrora creio
Entrou, e ao contrário daquelas pessoas que partem convictas de que têm uma palavra a dizer sobre determinado assunto e no momento em que se confrontam com o seu interlocotor perdem a coragem e ficam totalmente estáticas, o Lorde Ciúme soltou o discurso como se de cães de guarda se tratasse, seguro de que defenderiam o seu juízo e entendimento
destemidamente
Pois diz-me como é que és capaz de aturar esta situação. Sinto-me perplexo quando te vejo aí deitado como se tivesses acampado no abrigo daquele que está prestes a ganhar a guerra. Estou pronto a explodir e ainda mais me enerva ver-te tão sossegado.
Não te sentes injustiçado, não te sentes insignificante, não te sentes traído
Traído!
Tudo fizeste para estar daquele lado, teres aquele papel e muito correcto foste em diversas circunstâncias e deixaste-te estar à margem, à espera da decisão, mas sempre houve uma ponta de insurreição, de anti-conformismo.
Conformaste-te, não vejo outra explicação
Desistes não é verdade?
Cobarde
Defende-te perante mim, ao menos, já que não és capaz de te defender perante a trivialidade da vida, contra o banalismo vergonhoso, contra o descrédito.
Fiquei sentado na cama, com a manta por cima do meu corpo, a olhar para aquela figura que por muito se esforce por maquilhar, por se disfarçar, acaba por se revelar sempre a mesma, com as mesmas expressões. Decidi prolongar o vazio entre o tempo da pergunta e o da resposta, como quem quer dar o ar de que realmente estava a assimilar tudo o que se dissera antes e que me preparava agora para dar inicio à minha estratégia de defensa. Dei o ar mas já tinha a lição sabida de outros momentos
Ouve lá, não tens fome? Gostava de comer alguma coisa, respondi, desviando claramente a conversa para aquilo que era para mim no momento uma necessidade, uma verdadeira preocupação
Estava-me a cagar para aquela conversa
Eu não compreendo porque vim viver contigo durante este tempo todo, suspirou o Lorde.
Porque é que me queres aqui se não me prestas atenção, se me gozas com esse desplante, com esse à vontade, disse enquanto dava meia volta e retirava-se do quarto, esmorecido, como um cão que gane aos ouvidos do dono.
Assim que saiu levantei a manta e os lençóis.
Podes sair, disse eu.
Ainda bem que ele não te viu senão seria mais difícil explicar-lhe que ele, tal como outros que já aqui residiram, fazem parte de mim.
Acho que ele realmente entraria num rodopio de loucura se me visse contigo, disse matreira a Confiança.
Possivelmente. Ele nunca vai perceber
Afinal de contas uma pessoa vai para a cama com quem quer.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:08
quinta-feira, fevereiro 10
Não sei como o fazes.
Mais ainda, não sei como o fizeste.
Se fosses minha mãe com certeza que o terias feito enquanto me tinhas no teu ventre,
portanto como é que o conseguiste?
A verdade é que eu sei que está lá,
aquela caixa
perto daquilo que me faz correr o sangue,
que me faz correr o sangue e que me alimenta a vida,
e por vezes a morte.
Está lá,
aquela caixa com o teu nome gravado,
que eu quero abrir e que nem a porrada ela se desmancha.
Nem quando bato forte com o peito no calhau que geraste,
na pedra mole que não sei se alguma vez se partirá mas que quero ver partida.
Se tiveres vontade de a ver-se desmanchar já é um começo.
A verdade é que faz parte de mim,
esse segredo que é teu.
Vá lá conta-me,
como é que me fizeste gostar tanto assim de ti?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:09
sábado, janeiro 1
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:16
terça-feira, dezembro 14
Provérbios
Os provérbios ditos ao desbarato pecam sempre pela falta de informação.
"Tanto dás uma no cravo como dás outra na ferradura" a meu ver é pouco esclarecedor. Que desta frase se entenda que a pessoa em causa tanto é ceerteira e convicta numa ideia como noutra ainda é naquela, agora resta saber em que cavalo é que prega o seu juízo e onde é que ele para.
Eu quero crer que o animal, esse, ainda ande a correr por essa pradaria fora mas não tardará a prostar as suas patas ao sabor da ocasião. Quanto ao burro, que podendo parecer que não é a meu ver aquele que mais vezes é chamado à conversa, esse, esse não precisa de atifícios para ir comer palha a outro lado.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:05
terça-feira, dezembro 7
Ando demasiado adormecido para dizer que durmo. Dizer que se pratica o sono exige dizer que se pratica também o inverso, o que obrigaria dizer que abri os olhos e vi perfeitamente que tu nunca gostarás de mim, que te diriges para longe desviando-te de todos os pedaços do amor que sinto por ti e que uso para impedir que te afastes a uma velocidade feroz.
Ando demasiado adormecido para dizer que durmo e enquanto durmo para dizer que ando adormecido, adormeço o dormir que é dormir sem ti ao meu lado. Não quero despertar e ver-te embarcar na viagem a que tens direito, deixando comigo o dever que é deixar-te partir, deixando comigo a bagagem de dor que nunca conseguirei desfazer.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:55
terça-feira, novembro 23
Acordo na minha cama e olho para o lado e oiço mais do que vejo, cheiro mais do que sinto. O teu perfume paira no ar e oiço a tua voz como se me sussurrasses ao ouvido. Sinto uma certa confusão latente na minha cabeça que não me deixa perceber em que estado da realidade me encontro.
Estranha a vida que tende a juntar elementos para fazer deles uma única coisa, tal como as gotas de água que nunca se tocam mas fazem a chuva, tal como os raios de luz que caminham solitários pelo espaço mas fazem o sol. Parece-me mais saborosa a morte que ao menos nos junta a todos no mesmo sítio, extinguindo a distâncias, fuzilando aquilo que me separa de ti.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 12:23
quinta-feira, outubro 28
Diria que tem piada. Acho que por instantes até senti desabrochar um sorriso na minha cara.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:45