sexta-feira, março 26

Certas vezes a culpa foi minha,
Outras vezes tua,
Outras dele,
Mas nunca foi nossa!
Não podemos ter culpa por gostarmos um do outro.

Houve dias em que fui eu,
Ouve dias em que foste tu,
Outras ele,
Mas nunca houve dias em que fomos nós!
Nunca sacámos das armas ao mesmo tempo e apontámos um ao outro.

É verdade, fui eu que quis,
É verdade, foste tu que quiseste,
É verdade, se calhar foi ele que quis,
Mas não fomos nós que quisemos!
Como tiveste coragem de dizer eu quero à vontade de outro?

E se eu o desejei,
E tu o desejaste,
E se ele o desejou,
Mas será que nós o desejámos?
Aos teus lábios o perguntei, e assim foste responder a outro...

quinta-feira, março 4

Noites em branco

Tal como os grandiosos guerreiros de outrora que em campos de batalha acabaram por tombar, da mesma forma um borrão de tinta sobre as folhas da minha consciência assim foi acabar.
Malditas insónias que de branco não têm nada.

As desilusões mancham-me o papel virgem, os lençóis impuros, o edredão conspurcado, as paredes coscuvilheiras, o tecto trabalhado, onde violentas pingas sem piedade ao chão fazem questão de esmurrar, levando-me então avassaladoras pegadas deixar, quando ao abrigo do desespero me levanto para mais um tresmalhado copo de água à boca levar.
Maldita tinta que mais te assemelhas a uma pessoa.

Abraças-me como uma vadia e afinal tens poiso onde matar o ócio, tal como as pessoas, que por mais que andem à tuna acabarão por debaixo de um pedaço de terra se deitar, tal como tu, que por mais interesse que me possas despertar, acabas pelo encanto de uma noite me tentar enganar.
Maldita noite que teimas em não virar dia.

Mas o dia vai chegar, e com ele serás obrigada a mostrar-te. Seca sobre aquilo que te decidiste atirar, oh mulher, terás força para um última coisa dessa tua infame boca soltar:
Maldito sejas tu, que a mim decidiste deixar de amar.

quarta-feira, março 3

Da solidão

Nós nunca vivemos realmente acompanhados, nem mesmo numa relação. Mesmo quando nos vimos, e até nos podemos vir ao mesmo tempo, vimo-nos nós, por nós, e é de nós que se esvai o bestial e saboroso sentimento de prazer. De cada um de nós.

Pois então como vieste, agora vai-te. Talvez te venhas a sentir com falta de alguma coisa.

sábado, fevereiro 27

Desaparecer

Não ando mais desaparecido que o normal. Percebo que não sejas capaz de me ver bem aqui ao teu lado, num mundo paralelo. Sem sentimento de pertença não se enche o casulo da existência, e então à tua e à vossa lógica não existo, no entanto quero invocar a velha máxima se penso logo existo. Oh, e se tenho pensado. Se existisse um valor absoluto para ser pessoa não sei quantos de mim existiriam.

Talvez assim desapareça no meio deles todos.

Não existem vitórias. A vida é um somatório de dias perdidos.

É lugar comum deixarmos ou esquecermos-nos de alguma coisa quando decidimos partir. Não meteste na mala o cheiro que na cama ficou, o cheiro a ti.
Ainda bem que partis-te assim, descaracterizada!

quarta-feira, fevereiro 3

Não te via à tanto tempo que só agora tive noção de como estava diferente. Para ti não foi surpresa. Cuidas-te de mim desde muito novo, sempre à espreita, encostada à ombreira da porta com cuidado o suficiente para não entrares no meu mundo mas também para nunca te afastares dele. Oh, mas ele cresceu e eu coloquei-me a um canto muito afastado de ti, perto de uma janela, sempre pronto a abri-la e a saltar quando me sentisse muito apertado, se a divisão começasse a abarrotar de gente, de gente boa e de gente má. Não te terias importado se o fizesse pois sabias que não me irias perder de vista facilmente, e logo eu, que tanto gosto de pular acima da multidão, não fosse o facto de teres vindo a piorar da vista. Ainda assim dizes que gostarias de me ter apresentado a tua filha, que seria a pessoa mais extraordinária para tomar conta de mim e eu a melhor pessoa para tomar conta dela. Extraordinária és tu, razão por acredito que sejas tu a responsável para hoje ser apaixonado pelas coisas belas. Tu, maravilhosa pessoa, deusa mulher. E deixaste-me alguns concelhos.

João, as aves voam muito mais vezes em bando que sozinhas e todas elas têm um ninho. Vai dando notícias sim?
Yes maam!

terça-feira, fevereiro 2

Somos livres de dar valor àquilo que quisermos. Mais que uma escolha é uma certeza, uma convicção que tanto podemos estar a ser justos como injustos.
Intolerâncias das opções portanto.

segunda-feira, fevereiro 1

"A que horas partes?" Sinopse de um conto

A história começa com eles na cama. O que é que ele faz, ainda não sei. O que ela faz ainda estou para descobrir. Deviam-se ter encontrado no mesmo comboio, à mesma hora, porém tal não aconteceu, coisa que só agora se apercebe, naquele suave gesto, com aquele doce arfar.

Ela pergunta, A que horas partes?
Ele responde, A que horas chegas?

Nenhum dos dois sabe onde vai, ambos persistem em ir.
Se serão de dois locais opostos do mundo, certamente. Para ele devia nascer o dia, para ela já chegou a noite e no entanto tudo é claro.

segunda-feira, janeiro 25

(...) (parte 3)

Pouco depois de ela sair o Óscar dirigiu-se à mim, agora sem a vassoura e de cigarro na mão, com um ar mais descontraído, mas com um ligeiro toque de preocupação ao mesmo tempo. Sentou-se, cruzou as pernas e ao seu jeito pousou os braços sobre a mesa e concentrando-se em mim deixou-se ficar calado, com um olhar vago, à procura de me decifrar.

Queres um cigarro, disse por fim.
Não, estou a dar uma pausa ao tabaco, respondi lá de longe do vazio, do lugar distante onde permanecia suspenso o meu pensamento.
Então e o que é que ela disse, perguntou sem dó nem piedade, impetuoso, como quem estava seguro de ter percebido onde acertar para liquidar o coelho à primeira surpresa dolorosa. Teria sido como se o acaso me tivesse aberto o alçapão que nos separada do abismo e mergulhasse violentamente no seu fundo, se não fosse o facto de já nas suas entranhas me encontrar, estatelado, imóvel, sem conseguir respirar, sem força nos pulmões para soltar um leve pedido de misericórdia.
Disse que não quer a criança, que não tem tempo para lhe dar a devida atenção, continuou a minha boca, habitada a falar por ela própria e com autonomia para assegurar algumas responsabilidades de maior importância.
Explicou porquê?
Parece que tem um trabalho muito exigente com o amor, e é lhe bastante dedicada, como viste. Bastou que lhe tocasse o telemóvel para se levantar e ir ao seu encontro, colocar a farda e executar com rigor as tarefas que lhe forem pedidas.
Trabalho precário esse e com péssimo patrão. Parece que só o Diabo o conhece, que o viu sem capa e mesmo assim não foi capaz de definir a sua cara, tal são as manhas do camaleão, e apontou para o taberneiro ao que este lhe respondeu com um aceno como que a validar o que o se dizia.
Com tantos que andam por ai é difícil dares de caras com o que não usa sobretudo, com o que não se pinta com as cores da malícia e do engano. E o Diabo que se lixe com essa conversa que ele só conhece aqueles que lhe mandaram carregar, e foram muitos, de outra forma não teria as costas naquele estado. Pisquei-lhe o olho, em sinal de manifesta cumplicidade, e pedi-lhe para trazer a garrafa e dois copos que o meu sentimento carecia de humidade.
Eu conheço-o, intrometeu-se Deus, e não existe só um, mas também não existem muitos. Deus tem esta mania de só se dignar a falar quando a conversa não é com ele, o que se podia comprovar com a quantidade de pessoas que juntavam em alvoroço à porta do tasco, em fervorosos coros o seu nome invocavam e com ele tinham assuntos pendentes, e este pouco importado com o acontecimento, sentado em silêncio com o gato ao colo, cuidando-lhe da pata ferida e da cauda esmagada, recebendo do felino como troco um ronronar que mais se assemelhava a uma oração. Por momentos tive impressão que havia vislumbrado a morte no meio daquele tumulto, e ignorando Deus, não sem atribuir razão ao seu comentário, voltei-me novamente para o Óscar e perguntei-lhe.

Está ali a Morte?
Sabes que não vejo bem ao longe, mas é bem provável que sim. Deve querer saber se a deixas levar a paixão paixão a dar uma volta, disse, entre o apagar de um cigarro e o acender de outro.
Que pergunte à mãe da criança, que quer queira ou não, tem uma palavra a dizer sobre o assunto, exclamei.

quarta-feira, janeiro 20

(...) (parte 2)

Pelos vistos equivoquei-me, e apercebi-me do disparate assim que meti o primeiro pé no tasco e dei de caras com aquele ser extraordinário a varrer o chão, obrigado pelo diabo evidentemente, que não foi na sua habitual conversa e depressa arranjou uma maneira de saldar algumas dívidas leves, deixando as mais duras para serem cobradas noutra altura. Por momentos hesitei em entrar, na eventualidade de o Óscar estar zangado comigo por não lhe ter dito que o meu pote de coisas por pagar não era um porco capaz de ser abatido pela força e peso do dinheiro, no entanto a sua figura não mostrava indícios de indignação mas sim de saturação, de estafa. Dado que não há maneira de tirar o pó e a porcaria daquela velha taberna, aberta desde que o homem descobriu que tem necessidade de saciar a sua sede de desejos, compreendia perfeitamente que se apresentasse naquele estado de desânimo. Ao jeito de travessura avancei e agarrei-lhe a vassoura com força o suficiente para o obrigar a acompanhar-me e a sentar-se um pouco, o que não teria sido necessário se à partida soubesse que ele queria falar comigo, como se veio a comprovar.
Não havia ninguém desta vez, estávamos sozinhos. O próprio taberneiro via-se ocupado na cozinha a recolher um conjunto de desgraças para as servir mais logo, frias, para não variar nunca se consegue ter uma refeição quente por estes lados e não acredito que as coisas algum dia se alterem. É uma casa com tradição e já com símbolo de qualidade aprovado faz muitos anos para agora se deixar cair nos primeiros erros da inovação e ver-se dessa forma comprometida com os seus fiéis clientes, pessoas com interesses e vontades tão velhos quanto ela.

Quero falar contigo, começou o Óscar, Quer dizer que vais abandonar a paixão paixão e entregá-la a uma instituição de caridade?
Claro que não. Esta criança têm pai e têm mãe, uma mãe física, e têm uma madrasta real que é a Morte, que na ausência da primordial progenitora atormenta-me de tal forma o juízo que só me dá vontade de deixar lá o feto e dizer, Toma lá, vê la se és capaz de cuidar melhor dele do que eu?
Que mulher complicada tens tu! Disse em tom de brincadeira e com uma ligeira pitada de ironia à mistura.
Eu? Eu não tenho nada. Não se usa determinantes possessivos nestas situações. Teu, Tua, Seu Sua, são tudo termos que não se deviam utilizar para definir as pessoas, territórios que não se conquistam e portanto que não se possuem, que são de longe um dado adquirido mesmo que invoques o direito de usucapião, mesmo que já lá tenhas posto um pé ou outro, como já antes me ouviste dizer. Fiz questão de intercalar no diálogo uns valentes fodasse bem ao meu género, e continuei a desbravar caminho para deixar a curiosidade do Óscar ir pastar para outro lado.
Mas há um determinante que é justo que se aplique a esta situação, que é o Meu, ou a Minha paixão paixão, somente minha, e portanto ninguém me a pode tirar, só eu é que posso decidir para onde ela vai, como vai, e se algum dia vai deixar de ir andando.
És um bom pai!
Não é a minha primeira criança! E seguido dessa exclamação viro a cara para o lado numa tentativa de demonstrar que por mim a conversa ficaria por ali, não sem dedicar um olhar rápido às minhas memórias e recordar alguns filhos já hoje grandes, com outra identidade, quase irreconhecíveis.

Feito o flashbasck levo a mão ao copo e percebo que não existe copo nenhum sobre a mesa, como seria habitual, se o Óscar não se tivesse atirado com tanta vontade a estas questões. Apercebendo-se do meu gesto tomado em falso, ou sentido também vontade de beber alguma coisa, para o caso tanto dá, ergueu-se da cadeira e tomou a direcção do balcão com um passo lento e cuidado que teria passado totalmente despercebido aos ouvidos do Diabo, se não fosse o facto de não ter visto que a cauda de um gato espreitava simpaticamente por baixo do seu pé. Instintivamente o animal soltou o típico guincho de dor e desatou a fugir desalmado por entre cadeiras e mesas até atingir a porta de entrada, como se não bastasse ao gato já ter uma perna aleijada tinha agora, para lhe completar o cenário, uma cauda esmagada, dilacerada, que vá-se a ver, o Óscar não é propriamente levezinho. O dono, que deve ter entrado entretanto e sentado na mesa atrás da nossa sem que nem eu nem o Óscar tivéssemos-nos apercebido, correu em busca do seu malfadado gato.

Viste o raio do animal como corre com a perna aleijada, exclamou desvairado e com vontade de lhe ter pisado a cabeça em vez da cauda, ao menos dessa forma talvez tivesse sido capaz de abafar o som do bruto grunhido que chamou a atenção do Diabo, que saiu da cozinha e olhando para ele gritou, O que é que fazes parado?
Sabes, já uma vez lhe fiz pontaria com uma casca de noz mas deixei-o vir sossegado ter com o seu dono, ter com Deus.
Ai aquele é que é Deus? Perguntou com um certo desdém, como pergunta sempre quando vê pela primeira vez alguém que anda nas bocas do mundo e que ainda não lhe foi devidamente apresentado. Esta casa anda mesmo mal frequentada! rematou.

segunda-feira, janeiro 18

(...) (parte 1)

Estava sentado na tasca do costume e conversava com o Óscar debaixo de alguns olhares persistentes e perplexos que se questionavam com quem estaria eu a falar. Não percebia aquele ar espantado das pessoas que se concentravam na nossa conversa quando existem uns quantos que se deslocam a sítios sagrados para se meterem aos berros com alguém que é bem menos real e que se está a borrifar para o raio dos seus bracejos, mas permitam-me portanto descrever o "anormal" diálogo que ouviam esse tipo de criaturas ditas normais.

Óscar, porque é que não paras de olhar assim para mim?
Ah, como gostava de ser novo e bonito. A vida está para vocês juventude. És o meu orgulho sobrinho.
Isso não é nada assim. Deixa de ser parvo e enche lá o copo outra vez.
É verdade, dizia-me ele enquanto deixava cair o líquido no copo meio vazio, Já viste alguém perder 5 segundos a olhar para mim?
Óscar pah, tu estás morto como é que queres que alguém te foque se nem com uma grande angular te captávamos esse espectro?
A última miúda com quem tive uma relação foi a Morte, desabafou, E já foi há algum tempo.
Eu também e fiz-lhe um filho!
Foi? E que nome lhe deste?
Paixão Paixão!
Porquê a dobrar?
Porque um mal nunca vem só!
Nem um bem, retorquiu!
Precisamente, é um ser dúbio. O que é que esperavas vindo do ventre da Morte?
Talvez tenhas razão. Deixa estar que eu pago. Levantou-se e dirigiu-se ao Diabo para pagar a minha e a sua dívida.

Pobre Óscar, nunca tem dinheiro. Não o devo voltar a ver tão cedo.

"Eu não tenho vícios. A juventude hoje acaba-se com eles e acaba também por perder tudo na vida"
Eu tenho vícios! Bastantes... Abraço a decadência porque não tenho nada contra ela e gosto pouco de discriminações. Se é por isso que colecciono derrotas? Não porra. Ou será que esta senhora acha mesmo que me faço acompanhar do degredo para brindar à alegria?

domingo, janeiro 17

"As tuas mentiras são velhas mas tu conta-las bem"
Vi esta frase num filme, numa conversa entro o Jon Voight e o Sean Penn. Eu preferia que não me mentisses, mas se calhar o problema é meu que não percebo o que é a verdade. Os teus gestos são confusos e não deixam perceber se o que estás a montar é uma mesa ou uma cama. Pouco me importa se queres que te diga. Eu mantenho-me de pé e não me vou mexer para andar às voltas.

É bom voltar a sentir confiança em mim mesmo depois de acabares comigo. Ainda fazes parte de mim, eu sei e tu sabes, contudo existe algo que me impele a pensar que sou capaz de empurrar montes e fazer deles suaves planaltos, pegar em ti e pousar-te neles, e assim ficares ao lado das nuvens, mais perto do sol para me iluminares como antes me iluminavas, ou como antes gostavas de me iluminar.

Posso sempre esperar que te queimes e que te fodas pois não conheci nunca um mundo com dois sóis. Também nunca conheci um mundo sem ele, que puta de realidade aquela que tenho de enfrentar. Não te julgo. Eu se fosse Sol também não gostava de estar no teu lugar. Mas não pesas a reforma que isto é tudo da escrita para fora. Não estava à espera que apagasses a luz.

quinta-feira, janeiro 7

Sou teimoso e gosto de estampar e divulgar tal aspecto a mim mesmo, para me manter em estado constante de tensão, ou de tesão como é igualmente justo lhe chamar. Dois dos meus Eus gostam de jogar este tipo de jogo, semelhante àquele visto muitas vezes em peças cinéfilas: sentados a uma mesa e com um baralho de cartas expostas aleatoriamente,de costas voltadas para cima sobre a tampa, um de nós escolhe uma das 50 ao acaso, observe-la e sem mostrar ao outro pergunta-lhe que Carta é esta? Duque de copas. Muito bem. E esta? depois de repetir o mesmo gesto mas com uma carta diferente. Dama de Copas! Extraordinário, outra! e continuamos nesta merda eternamente, mudando alternadamente entre a personagem que faz as perguntas e a que responde. E é assim que passo muitos instantes do meu idiota tempo, a vive-los sabendo de ante-mão o seu resultado, e ainda assim insisto em vê-los e confirmá-los.

Crónica da crise

"As mulheres são infiéis quando o têm de ser e os homens são infiéis porque são loucos!"

Não podia estar mais correcta esta frase que ouvi na rádio radar. De uma forma geral, somos todos culpados, mas para mim não nos são proferidas sentenças iguais. Eu, neste caso, acho que sou vítima, ou pelo menos fui o que ficou a perder mais. Tudo bem que é discutível, embora ache que não seja legitimo, dizer que me aproveitei da situação e estiquei o sutiã ao máximo, mas fui eu que dei mais de mim do que tu. Não precisava de troco porque tenho por habito pagar contado, no entanto não vou conseguir abater esta despesa às finanças da minha alma, e devo realçar que lhe devo muito dinheiro, mas à partida esta tem de compreender que isto foi um investimento a fundo perdido e que é importante contribuir para o crescimento da economia, da minha e do meu mundo.

E ainda mais afirmo que também não abri sociedade anónima portanto não tenho de ficar de cara alegre por deixar ir o lucro. Também não fico zangado com ninguém.

O mundo que se chateie comigo se quiser, mas que ponha a mão nos tomates ou mesmo na cona antes de se vir em revolta e indignação.

quarta-feira, janeiro 6

Assombra-me a tristeza ver-te partir, ver-vos partir a todos pelos quais sinto muito apreço. Onde é que eu exagerei para se cansarem de mim? Tornei-me previsível. Se calhar ou será a vossa distância a única coisa que podemos dar como certa?
Deixai-me ir também que não quero estar com ninguém sem ser com vocês!
Deixai-me ir também que não é forma de estar assim convosco, baleado às mãos de quem me quer cortar o fio do juízo!
Deixai-me ir, não também, para dentro de mim e viajar nos prados secos a que fizeram questão de retirar a água no momento da vossa partida, da tua partida.

terça-feira, janeiro 5

Fazemos muitas vezes de conta que somos especiais para os outros, aqueles que são especiais para nós, e na realidade somo-lo. Somos especialmente descabidos na primazia que lhe fazemos, esticando a mão e colocando a maçã à frente dos seus olhos, ansiando pela doce trinca, à espera do suculento mastigar, mas na verdade não a engolem e não nos engolem a nós por conseguinte. O que é doce é para ser saboreado e o que é azedo e para ser comido e deglutido como se do fruto dos deuses se tratasse, como se no altar do sacrifício achasses que era teu dever deitar.

Nunca me irás comer pois eu das árvores não cresço e aos deuses nunca chamei de progenitores!

Não fazes refeição para o meu desejo.
Alvoreces no lugar da Lua e só és cheia quando ao mês lhe apetece.
Nem tu te sacias nem a mim me preenches a alma!

Porque é que damos tanta importância a pessoas que não nos querem coisa nenhuma? Se fossemos pneus dava casualmente com este género de acidente: quando um pneu se fode existe para compensar o sobresselente, inegável a sua importância, mas que não faz mais que a vez do primeiro quando este se lembra de arfar aos lábios das urtigas.

"Sem ti pneu sobresselente não tinha confiança para percorrer os quilómetros que tenho pela frente!"

Agora diz-me, serve um pneu para andar à pendura?

domingo, janeiro 3

Não sei como dizer que gosto de ti!
Se não sei gostar de mim como é que serei capaz de proclamar meu amor,
Coisa tão facilmente confundida com também minha dor:

E exaltar isto aos céus?
Ó triste inimigo que não tens misericórdia quando no chão me vês
E com o manto da paz não me deixas cobrir meu sentimento deveras enregelado.

Farás tu do meu predicado bandeira de teu território
Ó arrebatadora indiferença?

quarta-feira, dezembro 30

Do que estavas à espera quando falas-te em ir embora? Foi como apontares uma arma a uma nuvem e premir o gatilho para vê-la explodir em lágrimas e violentas dores.

quarta-feira, dezembro 16

Meu caro Óscar, afinal já me começo a parecer mais contigo. Tu tens jeito para cenógrafo e por familiaridade fazes de mim centro e teu personagem principal. Trazes um copo, trazes dois, trazes a garrafa quando consideras o cenário pobre não sendo, claro, com isso que o enriqueces, mas ao menos largas as tuas personagens à vontade do êxtase final, à espera dos aplausos ou quem sabe à espera de um tomate ou dois, uma lambada na cara e um comentário ou critica menos próprios.

Deixa cair o pano! Não temos plateia para isso.

segunda-feira, dezembro 14

Disfunção matinal, esboço de uma mente resignada

Não consigo perceber muitas vezes porque me foi concedida vida. O único motivo que me parece válido é que nasci para ser apresentado à morte, essa soberana senhora do povo crente e não crente, somos todos seus súbditos mas somos poucos aqueles que lhe concebemos orações. Tenho manhãs em que sinto vontade de me prostrar de joelhos e de lhe pedir que me arme seu cavaleiro, que me deixe trotear pelo seu reino fora, pelos campos onde o horror não encontra pouso e à injustiça a água não chega e a brisa dela se desvia, impedindo-a assim de florescer. Sim, tenho manhãs em que acordar é uma batalha extremamente complicada onde o último golpe só é disferido quando a noite chega e o exército recolhe à dormida.

sexta-feira, dezembro 11

"A arte é uma forma de pensar completamente diferente, de reconhecer a aparência como fundamentalmente insuficiente; no que é um instrumento, um método para abordar o que nos é vedado, o inabordável."

Gerhard Richter, 1991
(retirado do livro "A arte contemporânea" de Isabelle de Maison Rouge)

sexta-feira, dezembro 4

Desconfiem das pessoas que dizem que não sabem o que querem. Habitualmente o que querem é que alguém decida por elas o que escolher, que sejam os outros a apontar para o que é preferencial. Já ouvi uma ou outra pessoa dizer que os artistas não sentem as coisas de forma diferente, dramatizam é muito mais. Pelos vistos somos uma sociedade de artistas de pouca obra, de obra com pouco valor no mercado!

segunda-feira, novembro 30

Foste embora e todavia não foste só. Levas-te a minha alegria no teu bolso e a felicidade na mochila atrás das costas. Eu já sabia que não existiam separações de bens que fossem justas, só não sabia é que serias tu quem ficaria com mais. Ao menos toma, leva-me o rancor que ele não me pertence! Leva-lo que eu sei que tens dúvidas quanto à falta que te fará e porque tens a certeza que me deixarás sem nada. Toma! Come tu desse prato que eu agora estou sem fome.

quinta-feira, novembro 19

Vai fazer pontaria para o caralho!

Estavam não sei quantos gatos no telhado do restaurante atrás de minha casa.
Estavam dois juntos a dormir do meu lado direito e outros três à minha frente, com dois deles igualmente a dormir e o outro a olhar para sabe-se lá onde.
Eu? Eu estava à varanda.
Estavam mais dois deles um pouco alheios deitados do meu lado esquerdo onde se encontrava também um que não devia estar.
Esse que estava e que não devia estar, estava a olhar para mim com um ar pouco atrevido, passageiro até. À distância que me encontrava conseguia perceber perfeitamente que o seu olhar acabava onde começava um movimento meu. Com o braço erguido em sinal de provocação ainda lhe perguntei o que é que queria na esperança de ser surpreendido por um gato que fala, mas sem sucesso. A minha intervenção serviu-lhe de pretexto para se pôr a andar. Foi nesse momento que percebi que o gato tinha uma perna ferida e que a minha presença o assustou desde a primeira troca de olhares, o que o levou a ir ao encontro de Deus Nosso Senhor que naquele tarde dava autógrafos na tasca ao fundo da rua.
Deitei fora a pequena casca de noz que tinha na mão e com a qual tinha fisgado a cabeça do gato. Precisamente esse gato. Amaldiçoei a vida enquanto me dirigia para o quarto. Que mania temos nós de magoar aqueles que já se deparam com o corpo esfolado, que já se deparam com a tela saturada de encarnado!

domingo, novembro 15

Sinto que sou uma pessoa pensativa. Estou muitas vezes ocupado a meter os meus botões em ordem, esses desordeiros e vadios, infantis grande parte das vezes. Um deles têm-me dado algum trabalho, de tal forma que sou muitas vezes assaltado por um sentimento que vem vestido com vastas cores, umas de tons lânguido, outras de tons apáticos, mas sempre com uma base de carência. É algo que me deixa sem palavras mas o que pode parecer como algo constrangedor é inevitavelmente o ponto de partida para um percurso sem fim à vista. A fonética é obrigatoriamente dispensável quando o assunto em questão é a mudez, pelo menos a fonética banalmente assumida, aquela feita com articulações de palavras, não a autentica, a que é feita de gestos e toques, a que é feita entre eu e tu, tu e ele, ele e ela, eles e nós.

"Para quem usa tanto a palavra não achas que andas a pregar uma religião que não é a tua?" Argumenta o botão.
Respondo-lhe com uma calorosa manifestação gestual, o dedo do meio, a título de defesa.
"Isso quer dizer que gostas de mim em linguagem gestual não é?"
"Não sejas irónico. Não achas que as palavras nos distanciam muito mais do que nos aproximam? Achas que transmitem exactamente aquilo que pensamos, que com elas consegues explicar honestamente o que sentes por outra pessoa, que consegues explicar como te sentes: o que te vai na alma, portanto e popularmente falando?"
"Mas o que é que pretendes, que deixemos de usar palavras para comunicarmos, para nos entendermos, para discutirmos, para pedir perdão, para dizer estás perdoado, para dizer não me abandones, para dizer vai-te embora, para nos amarmos e para nos odiarmos?" Protestava violentamente o botão até que é interrompido pelo momento em que tu chegas, pelo momento em que o quarto fica mais quente e luminoso, pelo instante em que a carência é assassinada com a tua volta. Passas-me a mão pelo cabelo, fazes-me uma festa, beijas-me carinhosamente, pegas na toalha e dizes que vais tomar banho mas a paixão não me deixa ouvir palavras e a minha alma não pode ser apalpada por sons. Desapareces e levas contigo a arma da minha salvação.

Levanto-me da cama e começo a procurar as minhas coisas. Vejo a minha camisa ao fundo da cama, a única peça de roupa que encontro perdida no teu quarto. Apronto-me a vesti-la, um braço de cada vez. Olho-me ao espelho afim de confirmar porque é que não a consigo apertar em condições e comprovo aquilo que já sabia e que não queria assumir: "Onde é que anda aquele botão?"

quinta-feira, novembro 12

Faca de dois gumes

Um gato com cio arrasta-se por telhados a fora.
Digam-me lá, o que procura senão um lugar onde se foda?

Só dás conta do futuro quando contas os dias para a tua morte.

segunda-feira, novembro 2

Homenagens

As homenagens são sempre feitas tardiamente. O António Sérgio morreu mas deixou-nos a sua voz na nossa cabeça, eternamente por sua vontade. Diz-me, será que tu ainda me ouves ou o nosso carinho morreu sufocado naquele último beijo?
Devemos viver para aqueles que amamos e para aquilo que defendemos!
Isto é o legado que me deixas-te mestre da rádio. Acho que me perdoas por invocar o teu nome por uma razão que é para mim bastante justa.

sábado, outubro 31

Dois é bom mas três é demais, e eu nem lugar tenho no pódio!

terça-feira, outubro 27

Por muito que diga que as pessoas não são boas por natureza, por muito que defenda que essa qualidade não é inerente ao ser humano, por muito que ladre de castigo contra a humanidade existem por vezes manifestações de magnifico carinho nesta estupenda bola azul.
É nestes momentos que gosto do infinito azul e me apercebo que expressamos pouco o que nos vai na alma, muitas e muitas vezes por pudor, muitas e muitas vezes por vergonha.

"De tanta merda que já escreves-te e foste capaz de dizer, nunca existiu em ti subtileza nem descaramento para ao menos contares baixinho o quanto me adoraste, pois não João?"

terça-feira, outubro 20

Da piça para fora (um post em homenagem a muitos)

...

sexta-feira, outubro 16

Mais coisas sobre o mundo

O Mundo encontrou-se uma vez com a Lua, e como eram raras as vezes que isso acontecia dirigiu-se a ela e perguntou-lhe:
"Porque é que andas sempre à minha volta?"
A Lua espantada com a pergunta respondeu:
"Eu ando à tua volta porque tu assim me impeles a fazé-lo!"
"Se assim é porque nunca te aproximas-te de mim e confrontas-te-me com isso, que eu libertaria-te imediatamente do teu castigo?" perguntou o Mundo.
"Diz-me, quem é que eu sou?" contra-pós radiosamente a Lua e ao que prontamente o Mundo digitou.
"Ora, tu és a Lua!"
"Então se eu sou a Lua o que faz de ti?" disse a Lua com um sorriso malandro.
Incrédulo e com um ar desnorteado o Mundo confirmou aquilo que já sabia.
"Quem é que porra devia ser? Sou o Mundo claro!"
Aborrecidissíma a Lua levantou-se, afastou-se e enquanto se afastava para voltar à sua órbita berrou.
"Tu és o MEU mundo seu estúpido!"

Coisas sobre o mundo

O mundo é preto e branco caso não saibas! Só quando falas, ris, choras, berras, fazes fitas (e fazes muitas), quando estás calada e eu observo-te extasiado, e tu reparas e ficas imediatamente amuada... Só quando estás coisas e outras acontecem é que o mundo veste um casaco cinzento e saí à rua. E não insistas em meter-lhe cor e fazer dele a tua bandeira.

O mundo é território que não se conquista, ganha-se o direito.

Chamam-me muitas vezes de sonhador e a verdade é que eu sonho muito, mas sonho quando estou acordado. Sonhar é pensar insistentemente em alguma coisa e para pensar em alguma coisa com tamanha fome é preciso não estar a dormir. Aliado à ambição o sonho transforma-se numa ferramenta extraordinária - a Pá. Pá essa que é usada para escavar a nossa própria cova.
Escavada a cova podemos ser enterrados de duas maneiras: ou com terra ou com água. O primeiro caso não é muito desejável. Escavamos e escavamos por esse mundo da esperança e da determinação até ao momento em que as paredes cedem e desabam sobre ti. A segunda hipótese e por muito estranha que pareça é a maior causa de morte de um sonhador mas também o salto para a realização. Trata-se de enfrentar a chuvada e rajadas de frustrações que te vão enchendo o fosso até ao topo, o que se torna uma forma de saída para os bons nadadores que resistem e vão boiando até se agarrarem à margem.

"Porra, já parti mais uma pá!
"

quinta-feira, outubro 15

É injusto pedir-te uma coisa que não é tua, que não é minha e que na realidade não é assim de tantas pessoas. Quantos serão aqueles que estarão neste momento a lutar por um ponto cego de ar quente, que tende a ficar mais pequeno e a tornar a guerra ainda mais bruta, selvagem e asfixiante? Batalha eternamente a dois onde cada golpe desferido nos afasta cada vez mais da costa pois tem a força das marés da perdição.

Dá-me esse espaço que fica entre a minha boca e a tua.
Esse espaço que não é quantificável mas que fica maior e mais cheio à medida que os meus lábios se aproximam dos teus.
"Obrigado, o prazer foi todo meu!"

Exemplos

Eras grande e tinhas umas mãos que eram capazes de embrulhar e proteger o mundo, o mundo dos que te queriam bem. Tinhas no rosto espelhado a alegria desses mas tinhas encobertas cicatrizes profundas da tristeza que foi a tua melhor companheira. Tu enfiavas as mágoas num copo de vinho e limpavas a cara com o fumo dos teus cigarros, e era só isso que conseguiam ver do teu casamento infeliz com a vida. Foste mais homem do que eu alguma vez certamente serei e foste mais louco do que os poucos loucos que tive o prazer de conhecer, quando na verdade eu nem te conheci para poder dizer tal coisa. Mas tu conheceste-me quando eu ainda pouco ouvia e estava longe de falar para ter a conversa que quero te contigo.

Tio Oscar, eu quero acordar com uma cara diferente!
Eu quero ter coragem para ser louco e quero ter destreza para ser homem. Eu quero acordar não com um espelho mas com uma folha em branco no rosto, onde os outros possam esborratar as suas alegrias, onde os outros me pintem uma cara bonita.

Tio Oscar, eu quero acordar com uma face mais parecida com a tua!
A esperança era o símbolo da tua loucura. O mundo via isso no teu sorriso, sorriso esse que partilhavas com a morte que te visitava tantas vezes. E tantas vezes te partiu os dentes essa puta egoísta e desdentada.

Tio Oscar, eu quero acordar e saber que rosto vejo eu quando me olho ao espelho!

domingo, julho 19

Sim, eu prefiro os extremos. Não aprecio muito o meio termo. Reparem que é muito mais fácil cair no rídiculo do que nos braços de alguém!

segunda-feira, junho 29

Não sou culpado, nem sequer fui considerado arguido. Não é um verbo fácil mas eu já o tinha entendido, até já o tinha posto em prática outrora, naquele passado bem próximo se é que te recordas. Eu não sou propriamente um livro aberto e compreendo a tentação de não truncar nada quando este está escancarado e ao teu dispor, tal e qual uma virgem molhada deitada na tua cama, de pernas descobertas e à espera de ser esventrada.

Para a próxima vê lá se omites alguma coisa desta obra literária ou isto deixa de ser um romance e torna-se em um manual de uma qualquer máquina de lavar roupa.

domingo, junho 28

O desejo de ser desejado

Mais propriamente o desejo ao quadrado. É afirmativo, determinante e teimoso. É a moda na estatística do Ser Humano. Quem é que fica cinicamente indiferente quando alguém diz que nos ama?

Juntem-lhe a seguinte frase e podem sempre tornar a cena mais romântica: "Vá lá, podes-me foder e eu nem preciso de saber o teu nome!"

sexta-feira, dezembro 12

"Eu quero pôr o observador num terreno pouco seguro, para que tenha que se reconsiderar a si próprio e às suas circunstâncias"
Vito Acconci

terça-feira, outubro 7

Empregada de limpeza, precisa-se...

Preferia dizer que o carácter que te distingue como pessoa está neste momento a lavar as trombas no tanque onde se faz o vinho. O cheiro a uva pisada é tão forte que te entra pelos poros a dentro e até te lava as entranhas, fazendo com que esse pensamento de merda saía extasiado pelas tuas narinas. Eu percebo que o cheiro a cona te deixe embriagado, especialmente uma cona de reserva, já com tantos anos a ganhar sabor na adega com a tua gaita a fazer um belo serviço de conservação em vez de destruição. E agora que o vinho se abriu e transbordou queres voltar a engarrafá-lo!

Preferia dizer que o carácter que te distingue como pessoa está neste momento de cara limpa. Assim tenho de ficar com o lenço na mão à espera que vejas a linda figura que andas a fazer!

segunda-feira, outubro 6

1cigarro e umas garrafas de vinho depois...

... Match point (Woody Allen)! And we're back on the writhing again...

quinta-feira, maio 22

Uma mistura de azeite e água

Despe-te sem pressas. Demora o tempo que quiseres, não te atrapalhes com o meu olhar. Afinal são apenas olhos, não são lâminas. Tira uma palavra de cada vez, prenuncia cada sílaba com clareza. Da forma como estás a colocar as coisas até parece que se trata de umas calças apertadas. As meias não me chateiam, podes guardar os detalhes para uma outra ocasião.

Eu sempre gostei da verdade nua e crua! O que é que foi, nunca ficaram com a piça toda esfarrapada?

domingo, abril 20


"Perigo, em obras!"

Não é de agora! Não me lembrei de isto simplesmente para poder meter conversa com alguém, trata-se até do caso contrário. Aliás, quase que aposto que este pensamento já foi meu companheiro nas corridas matinais de mau-humor. Não sou uma pessoa fácil e nem em interessa ser. Penso que sou capaz de produzir uma conversa em torno de um assunto enfadonho e tentar dar-lhe graça, como por exemplo dizer que a história mundial tem dois momentos: um primeiro associado à criação da roda e um segundo agarrado à descoberta da roda com dentes! É fascinante portanto a quantidade de merda e parvoíces que me passam pela testa para apurar o sabor deste tema. Não gosto de servir sopas destas a ninguém e por isso prefiro remeter-me muitas vezes ao silêncio e responder com um sorriso simpático.

Acreditem, eu gosto de percorrer a maravilhosa auto-estrada da comunicação mas que se destaque este pensamento: existem portagens que eu não me interesso puto pagar! Por outro lado existem algumas que eu adoraria poder pagar, pois mesmo nos momentos em que tenho dinheiro, a puta língua parece que ficou sem combustível e não há maneira de a por a andar! Já nem vou falar das vezes em que o pavimento está cheio de buracos...

"Hi Mr. Waits! I'm wondering if I might call you Brotha?"


domingo, abril 13

A tarde desenhava-se como outra qualquer de primavera. Tinha acabado de chegar de viagem quando a ouvi fechar a porta com força. Sentia-a deambular pelas divisões da casa como um cão preso no quintal, revoltado por estar fechado, preocupado em perceber qual seria o melhor lado para conseguir um salto certeiro sobre a vedação. Sem mais demoras rompeu pelo meu quarto! A senhora tristeza vinha com um ar determinado mas com um aspecto consumido de quem tem algo muito importante a dizer mas que não sabe como.
“Vem comigo”, disse ela!
Queria lhe dizer que não me apetecia, que tinha acabado de chegar de viagem e que a última coisa que queria fazer era andar ao ver se me apanhas com ela. No entanto a curiosidade não me deixou! Puxou-me da cama com as suas mãos meigas e fez-me uma festa na cara. Nem reparei que ela também ali estava conosco naquele quarto. Ao lado da senhora tristeza fica tão pequenina e frágil que é impossível negar-lhe alguma coisa. Fico sempre com vontade de a abraçar, de a beijar, de a mimar, quando a vejo!
Lá partimos os três. À frente ia a senhora tristeza com o seu passo acelerado, seguida da linda curiosidade aos saltos e a cantarolar algo que não me era estranho mas que eu não conseguia entender bem devido à distância que existia entre mim e ela.
Fui o último a chegar, claro está! Fiquei surpreso quando olhei para aquele cenário. Não contava nada que fosse aquele o sítio onde a senhora tristeza me queria trazer.
“Observa bem!”
Estávamos no passado, na tua cozinha. Nela estavas tu e ele. As palavras voavam em círculo em cima das vossas cabeças. Eu adoro-te, Gosto muito de ti, Fascinas-me, O que era de mim sem ti? Tocavas-lhe no cabelo enquanto roçavas a tua face na sua cara meiga, escondida por baixo daquela barba lisa e fraca que tanto gostavas. E que ainda gostas.
“És tão fofo, sabias?” - dizias tu.
Olhei para a Senhora tristeza. Não precisou de abrir a boca. Percebi exactamente porque é que ela me trouxera ali. O que sou eu para ti? De que maneira é que te preencho? Como é que uma caixa vazia como eu te pode fascinar?
De repente deixei de conseguir ouvir os meus pensamentos. Começou a chover. Sei que a senhora tristeza aproveitou para se desfazer em lágrimas e confundiu-se com a chuva que caia com força na minha cabeça. Da curiosidade não existia nem rasto. Presumo que tivesse ido jogar à macaca com alguém. Ficara ali sem conseguir pensar e sem ninguém para me levar a casa. Não conseguia ver nada à minha frente. Decidi ficar quieto na esperança de aquilo ser tudo esquema do Lorde Ciúme!

"Queria um bilhete só de ida se faz favor!"

É exactamente como se diz. Existem dias em que não se deve sair da cama, em que não se deve pensar em abrir os olhos, em que não se deve ter a noção que estamos prestes a acordar! Nesses dias parece que o senhor do barco recebeu em adiantado e levou-nos directamente ao inferno, poupando-nos ao menos o trabalho de ter que passar por um multibanco para lhe poder pagar!

sexta-feira, março 28

O pincel da idade...


domingo, março 16

"Jesus pousou o pé na água e sobre ela caminhou. Virou-se para Pedro e disse-lhe que viesse a Ele!" Incrivel como estes deuses se safam das merdas. Não era bom também podermos caminhar sobre matéria não sólida? É que muitas vezes não sabemos por onde andamos e acontece pormos os pés onde não devemos, cair, sermos obrigados a meter as mãos, e definitivamente enterrarmo-nos sem direito a missa cantada!

Ainda bem que Ele não disse: "João, vem a mim!"
Fodias-te...

sexta-feira, março 14

Quando as mães nos vestem enquanto crianças...

Lembram-se das árvores genealógicas que nos obrigam - sim, obrigam - a fazer quando somos miúdos? Recentemente passou pela minha cabeça esse pensamento, o da construção da minha família. Tal qual um automóvel de fórmula 1 que passa a abrir à nossa frente, mas que neste caso o piloto deixou cair o capacete e para puta da nossa sorte este foi mesmo dar de encontro com as nossas trombas, causando uma calorosa sensação de DOR. Não falo em constituir família, mas sim sobre a família em qual fiz parte da construção. Pelo menos fiz parte da plateia, com lugar reservado na primeira fila, para todas as peças de discussão interpretadas pelos meus pais. Acreditem, eles deviam receber algum prémio pois as cenas de confronto físico pareciam mesmo reais.

Passados estes anos penso se alguma vez houve um projecto, se começaram pelos alicerces ou se construíram só umas paredes. Eu acho que tudo ficou pela roupa. Começaram a apertar os botões do casaco na casa errada e no final ficámos todos com um péssimo aspecto. Será que ainda temos tempo para vestir outra coisa?

segunda-feira, março 10

"Estás mais delicada mas continuas de arma em punho. Já estás tão perto outra vez que já consigo sentir o cheiro a pólvora queimada. Sim, não és inocente. Não me digas que ainda julgas que não chegas-te a disparar? Foi tudo um mal-entendido? Era um sonho?
Aproxima-te, deixa-me a pôr à boca. Já conheço bem esse sabor a ferro. Deixa-me ver se a limpas-te desde a última vez!
Pronto!
O que esperas?
Vá, dispara! Talvez assim não acerte no coração. Talvez me rebente com o cérebro e eu deixe de te imaginar com outro. Não te importes com os olhos, não precisas de os fechar! Eles já deixaram de ver faz muito tempo..."

sexta-feira, março 7

Formas geométricas

"Tu não és um quadrado, és um círculo. Tudo gira em torno do ponto em que é giro foderes-me a tola!"

terça-feira, fevereiro 19

Quando vemos a cena acontecer até achamos piada, rimo-nos para dentro e percorremos todo o nosso imaginário de badalhoquices quanto à pessoa que está à nossa frente a comprar uma caixa de preservativos. Proferimos comentários do género: "Hoje à noite ah?", "Épa, tantos? Isso é pa enfeitar os dedos?", ou mesmo, "Aproveita e leva também um frasquinho de vaselina!"; sinceramente, já pensaram a maneira como nos expomos quando vamos comprar uma simples caixa de preservativos? Parece-me sempre que o nosso interlocutor está imaginar o mais sórdido filme pornográfico entre nós e sabe-se lá quem! As pessoas devem encarar o acto como um segredo tão grande que o mais certo é já termos não sei quantas chamadas não atendidas, de possíveis chantagistas, mesmo antes de chegarmos ao carro. Aliás, quando chegarmos ao carro temos um bilhetinho à nossa espera a dizer para deixar a chave e os documentos ao pé da roda, virarmos costas imediatamente e correr o mais rápido que podermos, senão vão contar tudo ao carteiro lá do bairro para toda a gente ficar a saber que nós fomos dar umas quecas!



"O cliente seguinte por favor!"

"O Arquitecto"




sexta-feira, fevereiro 15

O que queres ser quando fores grande?

A crescente falta de desemprego têm me deixado preocupado. Será que escolhi a profissão certa? Questiono-me se não deveria tirar um curso de canalizador vistas as minhas últimas experiências no que se refere aos meus encontros, diga-se sociais, com pessoas que conheço meramente de vista. Eu tento ser uma pessoa conversadora, interessada e animada, mas reparei que as vezes que eu "meto água" nessas situações têm sido de todo escandalosas, o que me leva a pensar se não devo consultar ajuda especializada que me encaminhe para, vá, um bacharel sobre o assunto. É que eu não faço a coisa por menos, além de eu ver a água transbordar, eu ainda consigo deixar as torneiras abertas até aquilo se transformar num rio! Pelo menos sei nadar...

segunda-feira, fevereiro 11


Egon Schiele
Nu Feminino, 1910
Guache, aguarela e giz preto realçado a branco

(in Superinteressante, de Fevereiro de 2008)
É por estas coisas que há muitos a quererem tirar arquitectura, para construir casas grandes e colocar as meninas a trabalhar em melhores condições! Eu já sabia que a Faculdade de Arquitectura de Lisboa pertencia à Santa casa da Mesericórdia, basta olhar para os missionários e "missiónarias" que saem de lá com belas notas!
Aprovado Sr. Arquitecto!

Justificações para o SER assim...(2)

"Todo o grande artista é, antes de tudo, um rigoroso crítico dos mestres que o precederam e aos quais se segue."
(in Arquitectura e crítica, de Josep Maria Montaner)

Justificações para o SER assim... (1)

"Mas a abstração, como observou Wlhelm Worringer e como lembrou Manfredo Tafuri, surge culturalmente do medo da realidade"

quarta-feira, janeiro 30

Uma senhora de idade já avançada chama pela sua companheira freneticamente.
"Felicidade, Felicidade, onde estás? Preciso que me ajudes a levar isto para cima!"

Partilho da mesma aflição da senhora! Por onde andarás tu?

sábado, dezembro 29

Optimismo paternal

"A corrida não é para o ágil nem a batalha para o bravo. Todos estão à mercê das circunstâncias e da sorte!"

(Munich, conversa entre o "papá" e a personagem principal)

quinta-feira, dezembro 27

A contas com a felicidade!

Não sei se é pelo frio, pela época, ou porque o natal está presente, mas as pessoas por esta altura fazem contas à vida. Muitas delas agarram-se à esperança de que o próximo ano será muito melhor, que terão menos desgostos e mais alegrias, que a vida será menos difícil. Como qualquer outro também contenho um pingo de esperança, de outra forma estaria morto, no entanto não me parece que a passagem de um ano para o outro me traga algum concenso ou que eventualmente me ilumine. Não nos devemos agarrar a uma escala deste género pois a felicidade surge em menos que um segundo, prenchendo-nos verdadeiramente por mais alguns, podendo saber a dias, semanas, meses ou mesmo anos, na melhor das hipóteses.

Ora, fazendo contas à vida: 3-15, nove vezes fora nada.
Exacto, a felicidade!

Podia dizer que é pela bela forma física, talvez pelos os olhos, ou mesmo pelo corte de cabelo, mas não é! É por um conjunto de coisas que fazem uma atitude!
Prendas de natal para o mundo, mais Shannyn Sossamon por favor!

"És uma puta. És a pessoa mais suja que conheço! Cada vez que surge uma situação mais embaraçosa, que requer mais sensibilidade e compreensão, tu deixas-me na mão. Vendes-te à primeira ideia, sem pestanejar, como uma rameira ou pior, porque até as rameiras têm um preço. Como podes ser assim? Não sabes que conto contigo? Não sabes que preciso de ti? Não sabes que és tu que estás acima de qualquer coisa? Porque é que nunca te preocupas em me querer ver? Porque é que a iniciativa tem de ser sempre minha? Preferes os outros, não é? Preferes responder primeiro ao mundo do que a mim. Não tens um pingo de carinho e depois ainda vens com merdas a dizer que gostas de mim. Será que tu nunca mudarás?"

Continuo a olhar directamente para o espelho e aguardo. Continuo à espera que a pessoa que está à minha frente deixe de gozar com a minha cara, ao imitar todos os mesmos gestos, e talvez se decida a dar uma resposta, uma resposta que espero à já alguns dias!

segunda-feira, dezembro 17

Confiar: "Ter confiança, acreditar, entregar ou comunicar alguma coisa a alguém sem receio de a perder ou sofrer dano; revelar; transmitir."

É inegável! Eu sou um camelo que por vezes acredita que só existem pessoas puras neste mundo e cometo o erro de confiar em algumas que não devia. Nestes últimos dias tenho reflectido sobre o caso e decidi fazer uma lista de quem não confiaria plenamente e quem talvez ponderá-se no caso.

Quem nunca confiaria:
. Um qualquer padre - Estes gajos são uns filhos da puta. Até nas confissões se põem com merdas de que Deus também está a ouvir. Não, definitivamente;
. Nas paredes - Toda já o dizia que "O meu amor nem às paredes confesso". Desde que li na Super Interessante que já existem câmaras de filmar do tamanho de pequenos insectos fico sempre na dúvida, até porque o meu quarto está sempre cheio de melgas do tamanho de elefantes;
. No meu futuro sogro - Era obrigado a partilhar grande parte das minha amantes para o cabrão não se bufar ou começar a ver os jogos de futebol com ele.

Quem talvez confiaria:
. No meu cão - Podemos dizer tudo ao animal. Mesmo que este se ponha para aí a ladrar aos quatro cantos do mundo são poucos aqueles que o entendem;
. Na minha futura sogra - Surpreendente não é? Isto são das lavagens cerebrais que levamos quando somos pequenos, aquando das primeiras histórias sobre o Abominável Homem das Neves, Lobo Mau ou o Papão. Normalmente contadas pelo o avô em que este, no final do conto e com a sua ternurenta voz, nos convence que afinal estas personagens até são porreiras.É por causas destas merdas que um gajo já não se assusta com muito;
. No Pai Natal - Porque eu não tenho a certeza se ele existe ou não!

Ejaculação precoce

Que momento fabuloso olhar para aquelas fusas no expoente máximo do seu impulso moralista, no preciso momento em que pensam: "Eh eh, olha como eu sou o senhor da razão!". Melhor ainda é olhar quando um segundo depois essa razão já caiu por terra, contrariada por a devida verdade e não por um espasmo do ego.

Só resta dizer: "Tão e essa rapidinha ah?"

sábado, novembro 24


Rachel Weisz
Adorável na campanha promocional da Burberry London

Vende-se maçãs!

Eu ainda me espanto. Ainda existem pessoas que são capazes de falar comigo, que porventura pensam que eu até sou uma pessoa interessante, simpática, amiga! Quem é que ainda pensa isso?

Sinceramente, falar comigo é como ir a uma mercearia comprar maçãs e tentar acertar naquela que não tem bicho. Lamento mas o livro de reclamações já está cheio, tente para a próxima se eventualmente a loja ainda não estiver fechada!

Os amigos são para as ocasiões

Acho que tenho de mudar a parte do "Sobre mim". Os meus amigos gostam de me apresentar como: "O mariquinhas que ninguém pode tocar senão já se está a queixar!"

Tenho de agradecer a todos eles porque cada dia que passa contruibuem para eu ser uma gajo mais sociável. Eles até festas de apresentação à sociedade me fazem. E eu a pensar fazer cartões de apresentação, que ideia disparatada!

sexta-feira, novembro 16

"Nem pela cona vales"


terça-feira, novembro 13

Engate à estudante de arquitectura

"Olha, dá-me mais resolução para fazermos um render!"

"Meter os pés pelas mãos"


sábado, novembro 3

"É preciso saber para onde vais antes de conduzires os outros para esse lugar!" Como eu odeio quando fazem de mim cabeça de cartaz. Não é pelo facto de eu não saber para onde vou, é mais pela razão de os outros não saberem para onde querem ir e responsabilizarem quem vai à frente por isso.

Garanto que para a próxima levo toda a gente em direcção a um canil. Se vão começar todos a ladrar mais vale que seja num lugar apropriado!

terça-feira, outubro 30


O mundo é pequeno

"O mundo é pequeno!" Típica frase que se diz quando vemos algém num sítio inesperado. A pura verdade é que o mundo é pequeno não pela razão insólita de encontrármos uma pessoa num lugar inoportuno, mas porque as relações que mantemos com alguém são em número muito reduzido ou mesmo limitado. Para mim o mundo é pequeno porque tenho uma grande dificuldade em cativar pelo menos um ser humano o suficiente para que este fique mais de 5 minutos à conversa comigo.

Pelo menos dizem que até tenho uma cara simpática!

domingo, outubro 21

A fama

A imagem presente na cabeça das pessoas não deixava margens para dúvidas. Para a população em geral, o arquitecto era arrogante, provocador e convencido. Apesar do sem número de edifícios já construídos e do sem número de prémios já alcançados, a maneira do arquitecto se apresentar perante o mundo real retirava-lhe todo o seu mérito. Certamente que o seu nome surgirá assinalado com polpa e circunstância num livro de história devido ao seu desempenho extraordinário no campo das artes, porém a crítica não terá qualquer receio em afirmar que como pessoa deixava muito a desejar. Lamentavelmente porque a verdade nem sempre se manifesta com a seu melhor traje neste carnaval de bonecos desanimados que percorrem a passerelle vermelha.

Realmente é como se diz: Ganha fama e deita-te a dormir!

sábado, outubro 20

Qual o caminho da forma?

Na cabeça sinto uma ligeira inquietação. A vontade pretende materializar-se em forma mas a forma não quer ser submissa, não quer ser domada, não quer ser deformada. Rígida e segura de si própria provoca-me através do seu movimento fugaz, leva-me a persegui-la, a esgotar-me, a perder-me.

Sem guia só conheço um caminho. O do caixote do lixo para lá deixar mais um desenho.

Herói ou Anti-herói

Eu gosto de algumas séries de televisão. Normalmente o humor britânico é prato principal mas outras vezes deixo-me de merdices pseudo-intelectuais e vejo séries da praça. A mais recente é o Lost e tenho-me centrado principalmente na tensão entre três personagens - o Jack, o Sawyer e a Kate. Sem necessidade da dissecação rapidamente percebemos que o Jack é o "herói" principal, o Sawyer o "anti-herói", e a Kate a gaja boa do enredo. Estes são os sintomas clássicos de um caso típico em que quem tem o prazer de bardajar a miúda gira é o anti-herói, que está-se na tintas para os problemas alheios, e tudo porque o herói está ocupado a tentar salvar o mundo. Não existe aqui uma espécie de contradição?

Só para salientar, eu sou o herói que morreu na guerra do meu derrotado mundo!

quinta-feira, outubro 18


"Interesso-me pelo momento em que o desejo se transforma em objecto"
Matthew Barney

A pena

A pena é algo que se deve evitar ao máximo ter, mesmo por alguém que se encontre totalmente na miséria. Parece que estamos a retirar algo que faz desse alguém pessoa, que faz desse SER, humano. No entanto eu sinto pena por um certo alguém. Um alguém esse que é capaz de invenjar a minha vida e que faria tudo para poder ser eu durante uns largos movimentos.

É lamentável que exista alguém neste mundo tão triste que possa sentir inveja da minha existência, por um pouco que seja esse sentimento!

quarta-feira, setembro 19

Os escritores fazem-no bem. Os realizadores também. Inventam situações, produzem, criam os efeitos necessários. Eu não sou escritor. Também não sou realizador. Sou vidente. As cenas escrevem-se com antecipação e são gravadas com a realidade.

terça-feira, setembro 18

Egon Schiele
A Hóstia Vermelha
Die Rote Hostie
Aguarela e plumbagina, 48.2 x 28.2 cm
Kallir P972; Colecção Particular,
cortesia de Galerie St. Etienne, Nova Iorque

segunda-feira, setembro 17

O que vão fazer a seguir?

Épa, é adorável a acção social no nosso pais. A solução para um mendigo é fazer com que ele vista uma camisola amarela com a inscrição de "CAIS" nas costas, colocá-lo a fazer companhia a um semáfro enquanto ao mesmo tempo tenta vender umas revistas. Uma pessoa assim já é mais útil à sociedade e fica contente como à páscoa!

Se é para ajudar alguém, deêm-lhe uma profissão condigna. O que é que vão fazer a seguir? Dar às prositutas uma picha de plástica tipo "ovo surpresa" com 50 euros na parte de dentro?

"Dias de muito, vésperas de nada!"

domingo, setembro 16

Os macacos são mais diplomatas!

sábado, setembro 15

De que maneira é que o fazes?

A minha família tenta-o disfarçar. Faz os possíveis para não acreditar que é verdade, tapam os ouvidos para não o ouvir e questionam-se até o porquê de tal acto mas sem sucesso. Acontece que eu sou um gajo incrível quando toca a proferir blasfémias. Não consigo perceber essa ideia de "religiosidade e seus associados", o que me faz pensar sobre o assunto e transmitir os meus juízos e conclusões.

Diferenciando as coisas pela maneira comum do "entre o bem e o mal" temos os seguintes cenários: de um lado, os fãs do Cristianismo e das suas ramificações que defendem que se fizeres merda vais parar ao inferno, onde está o cabrão do diabo que te enraba a sangue frio; do outro lado temos o Islamismo e seus congéneres que defendem que deves praticar boa acções para seres recompensado com 50 pêgas la em cima no céu ou no bordel mais próximo.

Não falei dos pagãos mas reparem que faz muito mais sentido e tem muita mais piada. Imagine-se este acontecimento: um gajo lambe a rata à vizinha do lado, que por acaso acontece de ser casada, e para se redimir perante o marido e a sociedade desculpa-se com a afirmação - "Opá, desculpem lá mas a mulher foi possuída pela deusa Vénus e eu senti-me obrigado a fazer-lhe uma oração!"

Filhos da mãe (2)

"Chupa que a tua mãe também chupou!"
(O meu avô, a referir-se à minha prima recém-nascida enquanto ela chupava pela chupeta!)

sábado, setembro 8

A velha máxima

Por vezes parece que estou grávido. Para além de estar de esperanças de um rapaz que cujo apelido poderá ser superbock, sagres, imperial, ou tagus (se entrentanto descobrir quem é a mãe dele), depois dos enjoos sofro esporadicamente de desejos. No outro dia estava com o desejo mesquinho de ver alguém que não via à muito tempo. Ver essa pessoa de longe pelo menos o suficiente para não correr o risco de ela me ver também! Bem sabia que somente a ver já era um cenário muito improvável, mas eu não estava a ser capaz de tirar aquilo da cabeça e, mesmo consciente das dificuldades, parti à luta. Procurei pela página da internet, falei com alguns amigos e até passei à frente da casa dela (o que não é grande feito, já que a sua casa faz frente com uma rua principal o que não é faz ser díficil lá passar), mas nada. A ideia na minha cabeça era: "Não deves conseguir ser mais nojenta do já eras!"

Os dias passaram e o desejo continou presente mas um pouco mais longe, ocupado a fumar um cigarro. Porém, Deus Nosso Senhor quando não tem nada para fazer goza com a minha cara. À uns dias atrás e num sítio onde raramente vou procurar a superbock, a sagres, imperial ou a tagus, no momento em que vou a passar pela porta de saída dou de caras com a infeliz! Diabos...

A velha máxima já dizia: "Tem cuidado com aquilo que desejas!"

Filhos da mãe (1)

Alto, de cara esguia, claro de pele se o suor da terra não se fizesse notar. Bebia com uma vontade acima do normal, como quem gosta do que bebe mais que a normalidade. Homem de poucas palavras, de poucas amizades, de poucas mais valias. Não desejava muito na vida mas também nunca foi muito desejado. Um perdido em terra curta algumas vezes confundido com um anjo.

"Não há nada mais triste que a tristeza!", dizia ele. Fico triste quando penso que só o vi uma vez. Sim, o Oscar, aquele meu tio.

Há quem lhe chame 6º sentido

Normalmente são as mulheres que o têm. Um certo pressentimento que surge não se sabe bem como e, como diz um amigo meu quando se refere às vezes que quase foi apanhado com a amante - "Porra, porque é que Deus não deu um radar de badalhocas a mim também?!"

sábado, setembro 1

Take Five


A idade, claro

A velhice é significado de sabedoria, diz o ditado popular. Porém, a não ser que os historiadores sejam uns tretas, David não era muito velho quando usou o conhecimento para derrotar Golias, pois não?