Ando demasiado adormecido para dizer que durmo. Dizer que se pratica o sono exige dizer que se pratica também o inverso, o que obrigaria dizer que abri os olhos e vi perfeitamente que tu nunca gostarás de mim, que te diriges para longe desviando-te de todos os pedaços do amor que sinto por ti e que uso para impedir que te afastes a uma velocidade feroz.
Ando demasiado adormecido para dizer que durmo e enquanto durmo para dizer que ando adormecido, adormeço o dormir que é dormir sem ti ao meu lado. Não quero despertar e ver-te embarcar na viagem a que tens direito, deixando comigo o dever que é deixar-te partir, deixando comigo a bagagem de dor que nunca conseguirei desfazer.
terça-feira, dezembro 7
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:55
terça-feira, novembro 23
Acordo na minha cama e olho para o lado e oiço mais do que vejo, cheiro mais do que sinto. O teu perfume paira no ar e oiço a tua voz como se me sussurrasses ao ouvido. Sinto uma certa confusão latente na minha cabeça que não me deixa perceber em que estado da realidade me encontro.
Estranha a vida que tende a juntar elementos para fazer deles uma única coisa, tal como as gotas de água que nunca se tocam mas fazem a chuva, tal como os raios de luz que caminham solitários pelo espaço mas fazem o sol. Parece-me mais saborosa a morte que ao menos nos junta a todos no mesmo sítio, extinguindo a distâncias, fuzilando aquilo que me separa de ti.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 12:23
quinta-feira, outubro 28
Diria que tem piada. Acho que por instantes até senti desabrochar um sorriso na minha cara.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:45
Plantação de enganos
Hum... Não sei, não estarei minimamente convencido. Podem-me muito bem estar a enganar, e já lá vão uns meses que me cultivam esse terreno do descrédito. Ora plantam o desengano, ora fazem florescer a certeza mas de fruto não se vê trincar nada. Será sempre assim ou é simplesmente culpa do clima... em que vivias aqui pelo menos.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:33
quarta-feira, junho 9
Desculpas
Gostava de pedir desculpa muitas vezes, se tu também fosses capaz de o fazer. Mas tens tu culpa de alguma coisa? Não. Não serias capaz de assumir tal coisa. Não é por falta de coragem, mas porquê te dares ao esforço.
O ser amorfo chegou ao pé de mim e disse: Não vês que sou uma desilusão?
Não, não ando sempre de olhos abertos. Não pensava que precisa de olhos para te ver. Pensava que eras algo de extraordinário, e esses algos não se vêm por tais instrumentos. Mas tu podias ser tanta coisa, porque não o és?
Eu sou, nada para ti.
E não passaras do nada pois não?
Não!
Não te chateies, vazia já tu te sentes e no entanto apresentas-te cheia! Pois bem, rebenta então... Já não estou cá para juntar as peças e sinto-me mal por te dizer isso, mas tu também já não tens desculpa sabes?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:44
terça-feira, maio 18
Eu não vejo o afecto como uma necessidade, vejo-o como um inutilidade maravilhosa, e é por essa falta que me vejo de pé encostado à porta, à espera do que virá...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:27
segunda-feira, maio 17
Não tragam para aqui o orgulho agora. Deixem-no preso a outro poste, a latir se for essa a sua vontade porque também não é necessário amordaça-lo. Ele vai-se calar e eventualmente acabará por morder, e que vos morda a picha ou a rata para metermos a questão da virilidade já de parte.
Vá, cometam esse crime, o de dizer essas palavras. Corram a ser julgados na praça pública, sejam enxovalhados, baixem a cabeça de vergonha, sintam-se a pior merda por não o ouvirem de volta, desfaleçam perante a indiferença, mas que não se atrevam a de dizer eu amo-te. A sociedade é capaz de não vos perdoar por essa, e eu não quero ser acusado de instigador de tal motim! Vai-se a ver e o paraíso ainda é a terra não?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:46
sexta-feira, maio 14
Onde queres que vá se estou aqui, se ainda à um minuto me viste aqui, e daqui a dois ainda me verás, respondi estupefacto com a pergunta.
Tenho sempre a impressão que estás pronto para te ir embora, disse, ao mesmo tempo em que retirava os chinelos dos pés e cruzava as pernas na cadeira.
Repara, quantas cadeiras vês tu aqui, nesta sala escura da tua cabeça?
Duas, respondeu de língua afiada.
Pois bem, e como bem observas existem duas. Uma em que estás tu sentada e outra onde estou eu. Não existe mais nenhum sítio iluminado nesta divisão e tu já me disseste que esta cadeira está ocupada, portanto quando me levantar daqui não é para me dirigir a algum lado, mas para desaparecer na penumbra não, e arregalei os olhos como forma de acentuar o meu ponto de vista.
E não haverá mais cadeiras?
Possivelmente, disse-lo depois de dar uma vista de olhos rápida ao local. Mas está tudo muito escuro e cheio de coisas, não tenho a certeza.
Não sei como acender a luz. Se calhar não estamos na minha cabeça, mas sim na tua, afirmo-o de tal forma que essa afirmação sim, era capaz de iluminar o universo inteiro e fazer do sol uma estrela insignificante.
Não faço ideia. Cá para mim isto é tudo fruto de uma história mal contada.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 18:31
Do sentido, se é que há algum...
Parei na mágoa, e antes já havia passado pela dor, e penso que devo mudar de transporte. Vou deixar o comboio e apanhar um avião e perder-me no sentido do trajecto, fazer escala em algum ponto do meu ser e embarcar novamente, e parar lá no alto para não precisar de saber onde fica a minha alma, se à esquerda, se à direita, se ao pé de ti.
O que é que nos separa? O meio de transporte talvez...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 18:00
Eu só sirvo às mesas. Mostro o cardápio e trago aquilo que me pedem.
Que culpa tenho eu se a refeição vem fria?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:59
quarta-feira, maio 5
Peguem noutra laranja e imaginem-se no lugar dela, a ser espremida, com dó ou piedade tanto faz. Imaginem-se a ser apertados até ao lugar mais próximo do além, imaginem a pressão sobre o vosso ser, constantemente a aumentar, levando o corpo ao limite até que este se esvai em esguichos de sangue libertados por tudo o que são orifícios conhecidos.
Dêem a provar esse sumo da mágoa à pessoa que vos fez tal coisa e vamos ver se agora lhe é igual ao litro. Quem tem sede bebe, e que faça bom proveito.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:53
quarta-feira, abril 28
Para ti mana
Lembra-te sempre que Deus dá nozes a quem não tem dentes, e às vezes dá dentes a quem não os merecia ter.
Cabe-te a ti fazer o que ele não faz e partir a boca a uns quantos filhos da puta.
Acredito nas tuas inocentes razões para continuar a escrever, já que afinal de contas bebemos do mesmo sangue.
Vamos seguir o caminho da não existência maninha, com algumas alterações evidentemente.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 21:54
sábado, abril 24
Tudo tem um fim, e há coisas que nem um princípio tiveram. São como este blog, nunca existiram. Dentro de alguns dias este espaço voltará para o seu infinito. Agradeço a todos o que o seguiram, sinceramente.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 05:42
sexta-feira, abril 23
Conta-me histórias
Ouviu-se um estrondo e um objecto em forma de bola salta no sentido do navio à nossa frente chegando ao seu destino com uma prontidão perfeita. Em menos de um minuto uma mensagem de volta voa em nossa direcção, e com a mesma exactidão caí aos meus pés. A mensagem marujo, dê-ma imediatamente, gritou o Capitão. Percebi o que ele percebeu, sabíamos o que esperava ao navio da frente. O Adamastor já nascia ao fundo e era dos piores que poucos tinham tido oportunidade de conhecer. Era meigo, de feições amigáveis, mas um falso da pior espécie e matreiro como um lobo. Que mensagem lhe enviamos Capitão? Com ar determinado e sem desviar o olhar do seu propósito, responde Navega meu amor, Navega. Mais tarde ou mais cedo encontrarás a ilha que tanto procuras.
Pum!
Atenção ao vento. Icem outra vela. Mexam-se marujos que estamos a perde-lo de vista. Espera-vos o gosto do chicote se tal acontecer. Sim Capitão, gritei eu em prol de todos.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 16:02
quarta-feira, abril 21
Não percam tempo a pensar no assunto que a razão não é âncora deste navio.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:16
segunda-feira, abril 19
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:10
sábado, abril 17
Sem pressões ou manifestos sentimentos de piedade, tenho uma criança para dar a adoptar. Chama-se paixão paixão, e é uma querida.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 02:48
quinta-feira, abril 15
Sou suspeito mas é nos teus lábios que procuro a inocência da minha vontade.
Deixa cair o martelo e profere a sentença.
Não quererás com certeza, que seja eu o juiz da relação, do tribunal das coisas por haver.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:32
Qual é a diferença entre o querer e o ter vontade?
A finalização!
Um beijo nessa tua boca ou um estalo neste meu doente coração.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:25
A tua felicidade pode muito bem ser o fundo da minha tristeza.
Não é preciso um mapa para dar com este poço.
O caminho é sempre em frente e para baixo.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:03
terça-feira, abril 13
Lamentos de ser
Não sei quem és, eu
Não saberás o que foste
Mas lamentarás o que podias ser?
Corta os cabelos e dá a Dalila
E em extrema unção
Não serás outro senão João
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:00
Está tudo dentro do mesmo tom
Deixei de me perceber para te tentar compreender, e o que me deste tu a entender?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:55
domingo, abril 11
Abraçava-te e contigo o infinito vislumbrava,
Se ao tempo eu não parecesse
Menos sabes tu que és Dona da minha eternidade
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:45
Ponto de vista
Não te quero ver
Porque só ver-te não chegaria
Como não acalmar saberia
Mas se à vista do desalento e sofrimento sem ti resolvo ficar
Que se foda aquilo que custar
Se queres que te diga: não te quero ver
Oh, mentiroso sou
E às mais tristes batalhas assim vou
Para no horizonte perspectiva não conseguir ter
Da cobardia das enfermidades sofrer
Por assim tanto te querer
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:02
sexta-feira, março 26
Os quatro sentidos do toque
O que é que vês quando me tocas?
A que é que te cheira quando o fazes?
O que ouves quando o percorres?
A que te poderá saber?
Diz-me agora que quanto ao sentir já tenho resposta!
Que não sentes nada à muito que estou cansado de perceber...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 03:24
Certas vezes a culpa foi minha,
Outras vezes tua,
Outras dele,
Mas nunca foi nossa!
Não podemos ter culpa por gostarmos um do outro.
Houve dias em que fui eu,
Ouve dias em que foste tu,
Outras ele,
Mas nunca houve dias em que fomos nós!
Nunca sacámos das armas ao mesmo tempo e apontámos um ao outro.
É verdade, fui eu que quis,
É verdade, foste tu que quiseste,
É verdade, se calhar foi ele que quis,
Mas não fomos nós que quisemos!
Como tiveste coragem de dizer eu quero à vontade de outro?
E se eu o desejei,
E tu o desejaste,
E se ele o desejou,
Mas será que nós o desejámos?
Aos teus lábios o perguntei, e assim foste responder a outro...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 03:08
quinta-feira, março 4
Noites em branco
Malditas insónias que de branco não têm nada.
As desilusões mancham-me o papel virgem, os lençóis impuros, o edredão conspurcado, as paredes coscuvilheiras, o tecto trabalhado, onde violentas pingas sem piedade ao chão fazem questão de esmurrar, levando-me então avassaladoras pegadas deixar, quando ao abrigo do desespero me levanto para mais um tresmalhado copo de água à boca levar.
Maldita tinta que mais te assemelhas a uma pessoa.
Abraças-me como uma vadia e afinal tens poiso onde matar o ócio, tal como as pessoas, que por mais que andem à tuna acabarão por debaixo de um pedaço de terra se deitar, tal como tu, que por mais interesse que me possas despertar, acabas pelo encanto de uma noite me tentar enganar.
Maldita noite que teimas em não virar dia.
Mas o dia vai chegar, e com ele serás obrigada a mostrar-te. Seca sobre aquilo que te decidiste atirar, oh mulher, terás força para um última coisa dessa tua infame boca soltar:
Maldito sejas tu, que a mim decidiste deixar de amar.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 03:18
quarta-feira, março 3
Da solidão
Pois então como vieste, agora vai-te. Talvez te venhas a sentir com falta de alguma coisa.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 05:30
sábado, fevereiro 27
Desaparecer
Talvez assim desapareça no meio deles todos.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 16:23
Não existem vitórias. A vida é um somatório de dias perdidos.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 16:21
Ainda bem que partis-te assim, descaracterizada!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 03:25
quarta-feira, fevereiro 3
João, as aves voam muito mais vezes em bando que sozinhas e todas elas têm um ninho. Vai dando notícias sim?
Yes maam!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:26
terça-feira, fevereiro 2
Intolerâncias das opções portanto.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 16:30
segunda-feira, fevereiro 1
"A que horas partes?" Sinopse de um conto
Ela pergunta, A que horas partes?
Ele responde, A que horas chegas?
Nenhum dos dois sabe onde vai, ambos persistem em ir.
Se serão de dois locais opostos do mundo, certamente. Para ele devia nascer o dia, para ela já chegou a noite e no entanto tudo é claro.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:26
segunda-feira, janeiro 25
(...) (parte 3)
Queres um cigarro, disse por fim.
Não, estou a dar uma pausa ao tabaco, respondi lá de longe do vazio, do lugar distante onde permanecia suspenso o meu pensamento.
Então e o que é que ela disse, perguntou sem dó nem piedade, impetuoso, como quem estava seguro de ter percebido onde acertar para liquidar o coelho à primeira surpresa dolorosa. Teria sido como se o acaso me tivesse aberto o alçapão que nos separada do abismo e mergulhasse violentamente no seu fundo, se não fosse o facto de já nas suas entranhas me encontrar, estatelado, imóvel, sem conseguir respirar, sem força nos pulmões para soltar um leve pedido de misericórdia.
Disse que não quer a criança, que não tem tempo para lhe dar a devida atenção, continuou a minha boca, habitada a falar por ela própria e com autonomia para assegurar algumas responsabilidades de maior importância.
Explicou porquê?
Parece que tem um trabalho muito exigente com o amor, e é lhe bastante dedicada, como viste. Bastou que lhe tocasse o telemóvel para se levantar e ir ao seu encontro, colocar a farda e executar com rigor as tarefas que lhe forem pedidas.
Trabalho precário esse e com péssimo patrão. Parece que só o Diabo o conhece, que o viu sem capa e mesmo assim não foi capaz de definir a sua cara, tal são as manhas do camaleão, e apontou para o taberneiro ao que este lhe respondeu com um aceno como que a validar o que o se dizia.
Com tantos que andam por ai é difícil dares de caras com o que não usa sobretudo, com o que não se pinta com as cores da malícia e do engano. E o Diabo que se lixe com essa conversa que ele só conhece aqueles que lhe mandaram carregar, e foram muitos, de outra forma não teria as costas naquele estado. Pisquei-lhe o olho, em sinal de manifesta cumplicidade, e pedi-lhe para trazer a garrafa e dois copos que o meu sentimento carecia de humidade.
Eu conheço-o, intrometeu-se Deus, e não existe só um, mas também não existem muitos. Deus tem esta mania de só se dignar a falar quando a conversa não é com ele, o que se podia comprovar com a quantidade de pessoas que juntavam em alvoroço à porta do tasco, em fervorosos coros o seu nome invocavam e com ele tinham assuntos pendentes, e este pouco importado com o acontecimento, sentado em silêncio com o gato ao colo, cuidando-lhe da pata ferida e da cauda esmagada, recebendo do felino como troco um ronronar que mais se assemelhava a uma oração. Por momentos tive impressão que havia vislumbrado a morte no meio daquele tumulto, e ignorando Deus, não sem atribuir razão ao seu comentário, voltei-me novamente para o Óscar e perguntei-lhe.
Está ali a Morte?
Sabes que não vejo bem ao longe, mas é bem provável que sim. Deve querer saber se a deixas levar a paixão paixão a dar uma volta, disse, entre o apagar de um cigarro e o acender de outro.
Que pergunte à mãe da criança, que quer queira ou não, tem uma palavra a dizer sobre o assunto, exclamei.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:36
quarta-feira, janeiro 20
(...) (parte 2)
Não havia ninguém desta vez, estávamos sozinhos. O próprio taberneiro via-se ocupado na cozinha a recolher um conjunto de desgraças para as servir mais logo, frias, para não variar nunca se consegue ter uma refeição quente por estes lados e não acredito que as coisas algum dia se alterem. É uma casa com tradição e já com símbolo de qualidade aprovado faz muitos anos para agora se deixar cair nos primeiros erros da inovação e ver-se dessa forma comprometida com os seus fiéis clientes, pessoas com interesses e vontades tão velhos quanto ela.
Quero falar contigo, começou o Óscar, Quer dizer que vais abandonar a paixão paixão e entregá-la a uma instituição de caridade?
Claro que não. Esta criança têm pai e têm mãe, uma mãe física, e têm uma madrasta real que é a Morte, que na ausência da primordial progenitora atormenta-me de tal forma o juízo que só me dá vontade de deixar lá o feto e dizer, Toma lá, vê la se és capaz de cuidar melhor dele do que eu?
Que mulher complicada tens tu! Disse em tom de brincadeira e com uma ligeira pitada de ironia à mistura.
Eu? Eu não tenho nada. Não se usa determinantes possessivos nestas situações. Teu, Tua, Seu Sua, são tudo termos que não se deviam utilizar para definir as pessoas, territórios que não se conquistam e portanto que não se possuem, que são de longe um dado adquirido mesmo que invoques o direito de usucapião, mesmo que já lá tenhas posto um pé ou outro, como já antes me ouviste dizer. Fiz questão de intercalar no diálogo uns valentes fodasse bem ao meu género, e continuei a desbravar caminho para deixar a curiosidade do Óscar ir pastar para outro lado.
Mas há um determinante que é justo que se aplique a esta situação, que é o Meu, ou a Minha paixão paixão, somente minha, e portanto ninguém me a pode tirar, só eu é que posso decidir para onde ela vai, como vai, e se algum dia vai deixar de ir andando.
És um bom pai!
Não é a minha primeira criança! E seguido dessa exclamação viro a cara para o lado numa tentativa de demonstrar que por mim a conversa ficaria por ali, não sem dedicar um olhar rápido às minhas memórias e recordar alguns filhos já hoje grandes, com outra identidade, quase irreconhecíveis.
Feito o flashbasck levo a mão ao copo e percebo que não existe copo nenhum sobre a mesa, como seria habitual, se o Óscar não se tivesse atirado com tanta vontade a estas questões. Apercebendo-se do meu gesto tomado em falso, ou sentido também vontade de beber alguma coisa, para o caso tanto dá, ergueu-se da cadeira e tomou a direcção do balcão com um passo lento e cuidado que teria passado totalmente despercebido aos ouvidos do Diabo, se não fosse o facto de não ter visto que a cauda de um gato espreitava simpaticamente por baixo do seu pé. Instintivamente o animal soltou o típico guincho de dor e desatou a fugir desalmado por entre cadeiras e mesas até atingir a porta de entrada, como se não bastasse ao gato já ter uma perna aleijada tinha agora, para lhe completar o cenário, uma cauda esmagada, dilacerada, que vá-se a ver, o Óscar não é propriamente levezinho. O dono, que deve ter entrado entretanto e sentado na mesa atrás da nossa sem que nem eu nem o Óscar tivéssemos-nos apercebido, correu em busca do seu malfadado gato.
Viste o raio do animal como corre com a perna aleijada, exclamou desvairado e com vontade de lhe ter pisado a cabeça em vez da cauda, ao menos dessa forma talvez tivesse sido capaz de abafar o som do bruto grunhido que chamou a atenção do Diabo, que saiu da cozinha e olhando para ele gritou, O que é que fazes parado?
Sabes, já uma vez lhe fiz pontaria com uma casca de noz mas deixei-o vir sossegado ter com o seu dono, ter com Deus.
Ai aquele é que é Deus? Perguntou com um certo desdém, como pergunta sempre quando vê pela primeira vez alguém que anda nas bocas do mundo e que ainda não lhe foi devidamente apresentado. Esta casa anda mesmo mal frequentada! rematou.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:04
segunda-feira, janeiro 18
(...) (parte 1)
Óscar, porque é que não paras de olhar assim para mim?
Ah, como gostava de ser novo e bonito. A vida está para vocês juventude. És o meu orgulho sobrinho.
Isso não é nada assim. Deixa de ser parvo e enche lá o copo outra vez.
É verdade, dizia-me ele enquanto deixava cair o líquido no copo meio vazio, Já viste alguém perder 5 segundos a olhar para mim?
Óscar pah, tu estás morto como é que queres que alguém te foque se nem com uma grande angular te captávamos esse espectro?
A última miúda com quem tive uma relação foi a Morte, desabafou, E já foi há algum tempo.
Eu também e fiz-lhe um filho!
Foi? E que nome lhe deste?
Paixão Paixão!
Porquê a dobrar?
Porque um mal nunca vem só!
Nem um bem, retorquiu!
Precisamente, é um ser dúbio. O que é que esperavas vindo do ventre da Morte?
Talvez tenhas razão. Deixa estar que eu pago. Levantou-se e dirigiu-se ao Diabo para pagar a minha e a sua dívida.
Pobre Óscar, nunca tem dinheiro. Não o devo voltar a ver tão cedo.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:35
Eu tenho vícios! Bastantes... Abraço a decadência porque não tenho nada contra ela e gosto pouco de discriminações. Se é por isso que colecciono derrotas? Não porra. Ou será que esta senhora acha mesmo que me faço acompanhar do degredo para brindar à alegria?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 13:01
domingo, janeiro 17
Vi esta frase num filme, numa conversa entro o Jon Voight e o Sean Penn. Eu preferia que não me mentisses, mas se calhar o problema é meu que não percebo o que é a verdade. Os teus gestos são confusos e não deixam perceber se o que estás a montar é uma mesa ou uma cama. Pouco me importa se queres que te diga. Eu mantenho-me de pé e não me vou mexer para andar às voltas.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:45
Posso sempre esperar que te queimes e que te fodas pois não conheci nunca um mundo com dois sóis. Também nunca conheci um mundo sem ele, que puta de realidade aquela que tenho de enfrentar. Não te julgo. Eu se fosse Sol também não gostava de estar no teu lugar. Mas não pesas a reforma que isto é tudo da escrita para fora. Não estava à espera que apagasses a luz.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:37
quinta-feira, janeiro 7
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 02:50
Crónica da crise
Não podia estar mais correcta esta frase que ouvi na rádio radar. De uma forma geral, somos todos culpados, mas para mim não nos são proferidas sentenças iguais. Eu, neste caso, acho que sou vítima, ou pelo menos fui o que ficou a perder mais. Tudo bem que é discutível, embora ache que não seja legitimo, dizer que me aproveitei da situação e estiquei o sutiã ao máximo, mas fui eu que dei mais de mim do que tu. Não precisava de troco porque tenho por habito pagar contado, no entanto não vou conseguir abater esta despesa às finanças da minha alma, e devo realçar que lhe devo muito dinheiro, mas à partida esta tem de compreender que isto foi um investimento a fundo perdido e que é importante contribuir para o crescimento da economia, da minha e do meu mundo.
E ainda mais afirmo que também não abri sociedade anónima portanto não tenho de ficar de cara alegre por deixar ir o lucro. Também não fico zangado com ninguém.
O mundo que se chateie comigo se quiser, mas que ponha a mão nos tomates ou mesmo na cona antes de se vir em revolta e indignação.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 02:37
quarta-feira, janeiro 6
Deixai-me ir também que não quero estar com ninguém sem ser com vocês!
Deixai-me ir também que não é forma de estar assim convosco, baleado às mãos de quem me quer cortar o fio do juízo!
Deixai-me ir, não também, para dentro de mim e viajar nos prados secos a que fizeram questão de retirar a água no momento da vossa partida, da tua partida.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 13:46
terça-feira, janeiro 5
Nunca me irás comer pois eu das árvores não cresço e aos deuses nunca chamei de progenitores!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 04:23
Não fazes refeição para o meu desejo.
Alvoreces no lugar da Lua e só és cheia quando ao mês lhe apetece.
Nem tu te sacias nem a mim me preenches a alma!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 04:16
"Sem ti pneu sobresselente não tinha confiança para percorrer os quilómetros que tenho pela frente!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 04:04
domingo, janeiro 3
Não sei como dizer que gosto de ti!
Se não sei gostar de mim como é que serei capaz de proclamar meu amor,
Coisa tão facilmente confundida com também minha dor:
E exaltar isto aos céus?
Ó triste inimigo que não tens misericórdia quando no chão me vês
E com o manto da paz não me deixas cobrir meu sentimento deveras enregelado.
Farás tu do meu predicado bandeira de teu território
Ó arrebatadora indiferença?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:39
quarta-feira, dezembro 30
Do que estavas à espera quando falas-te em ir embora? Foi como apontares uma arma a uma nuvem e premir o gatilho para vê-la explodir em lágrimas e violentas dores.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:55
quarta-feira, dezembro 16
Deixa cair o pano! Não temos plateia para isso.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:12
segunda-feira, dezembro 14
Disfunção matinal, esboço de uma mente resignada
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:03
sexta-feira, dezembro 11
Gerhard Richter, 1991
(retirado do livro "A arte contemporânea" de Isabelle de Maison Rouge)
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:39
sexta-feira, dezembro 4
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 13:16
segunda-feira, novembro 30
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 20:22
quinta-feira, novembro 19
Vai fazer pontaria para o caralho!
Estavam dois juntos a dormir do meu lado direito e outros três à minha frente, com dois deles igualmente a dormir e o outro a olhar para sabe-se lá onde.
Eu? Eu estava à varanda.
Estavam mais dois deles um pouco alheios deitados do meu lado esquerdo onde se encontrava também um que não devia estar.
Esse que estava e que não devia estar, estava a olhar para mim com um ar pouco atrevido, passageiro até. À distância que me encontrava conseguia perceber perfeitamente que o seu olhar acabava onde começava um movimento meu. Com o braço erguido em sinal de provocação ainda lhe perguntei o que é que queria na esperança de ser surpreendido por um gato que fala, mas sem sucesso. A minha intervenção serviu-lhe de pretexto para se pôr a andar. Foi nesse momento que percebi que o gato tinha uma perna ferida e que a minha presença o assustou desde a primeira troca de olhares, o que o levou a ir ao encontro de Deus Nosso Senhor que naquele tarde dava autógrafos na tasca ao fundo da rua.
Deitei fora a pequena casca de noz que tinha na mão e com a qual tinha fisgado a cabeça do gato. Precisamente esse gato. Amaldiçoei a vida enquanto me dirigia para o quarto. Que mania temos nós de magoar aqueles que já se deparam com o corpo esfolado, que já se deparam com a tela saturada de encarnado!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 13:55
domingo, novembro 15
"Para quem usa tanto a palavra não achas que andas a pregar uma religião que não é a tua?" Argumenta o botão.
Respondo-lhe com uma calorosa manifestação gestual, o dedo do meio, a título de defesa.
"Isso quer dizer que gostas de mim em linguagem gestual não é?"
"Não sejas irónico. Não achas que as palavras nos distanciam muito mais do que nos aproximam? Achas que transmitem exactamente aquilo que pensamos, que com elas consegues explicar honestamente o que sentes por outra pessoa, que consegues explicar como te sentes: o que te vai na alma, portanto e popularmente falando?"
"Mas o que é que pretendes, que deixemos de usar palavras para comunicarmos, para nos entendermos, para discutirmos, para pedir perdão, para dizer estás perdoado, para dizer não me abandones, para dizer vai-te embora, para nos amarmos e para nos odiarmos?" Protestava violentamente o botão até que é interrompido pelo momento em que tu chegas, pelo momento em que o quarto fica mais quente e luminoso, pelo instante em que a carência é assassinada com a tua volta. Passas-me a mão pelo cabelo, fazes-me uma festa, beijas-me carinhosamente, pegas na toalha e dizes que vais tomar banho mas a paixão não me deixa ouvir palavras e a minha alma não pode ser apalpada por sons. Desapareces e levas contigo a arma da minha salvação.
Levanto-me da cama e começo a procurar as minhas coisas. Vejo a minha camisa ao fundo da cama, a única peça de roupa que encontro perdida no teu quarto. Apronto-me a vesti-la, um braço de cada vez. Olho-me ao espelho afim de confirmar porque é que não a consigo apertar em condições e comprovo aquilo que já sabia e que não queria assumir: "Onde é que anda aquele botão?"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 19:50
quinta-feira, novembro 12
Faca de dois gumes
Um gato com cio arrasta-se por telhados a fora.
Digam-me lá, o que procura senão um lugar onde se foda?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 20:21
Só dás conta do futuro quando contas os dias para a tua morte.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 20:08
segunda-feira, novembro 2
Homenagens
Devemos viver para aqueles que amamos e para aquilo que defendemos!
Isto é o legado que me deixas-te mestre da rádio. Acho que me perdoas por invocar o teu nome por uma razão que é para mim bastante justa.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 13:56
sábado, outubro 31
Dois é bom mas três é demais, e eu nem lugar tenho no pódio!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 07:29
terça-feira, outubro 27
É nestes momentos que gosto do infinito azul e me apercebo que expressamos pouco o que nos vai na alma, muitas e muitas vezes por pudor, muitas e muitas vezes por vergonha.
"De tanta merda que já escreves-te e foste capaz de dizer, nunca existiu em ti subtileza nem descaramento para ao menos contares baixinho o quanto me adoraste, pois não João?"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 20:29
terça-feira, outubro 20
Da piça para fora (um post em homenagem a muitos)
...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:48
sexta-feira, outubro 16
Mais coisas sobre o mundo
"Porque é que andas sempre à minha volta?"
A Lua espantada com a pergunta respondeu:
"Eu ando à tua volta porque tu assim me impeles a fazé-lo!"
"Se assim é porque nunca te aproximas-te de mim e confrontas-te-me com isso, que eu libertaria-te imediatamente do teu castigo?" perguntou o Mundo.
"Diz-me, quem é que eu sou?" contra-pós radiosamente a Lua e ao que prontamente o Mundo digitou.
"Ora, tu és a Lua!"
"Então se eu sou a Lua o que faz de ti?" disse a Lua com um sorriso malandro.
Incrédulo e com um ar desnorteado o Mundo confirmou aquilo que já sabia.
"Quem é que porra devia ser? Sou o Mundo claro!"
Aborrecidissíma a Lua levantou-se, afastou-se e enquanto se afastava para voltar à sua órbita berrou.
"Tu és o MEU mundo seu estúpido!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 18:44
Coisas sobre o mundo
O mundo é território que não se conquista, ganha-se o direito.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 18:23
Escavada a cova podemos ser enterrados de duas maneiras: ou com terra ou com água. O primeiro caso não é muito desejável. Escavamos e escavamos por esse mundo da esperança e da determinação até ao momento em que as paredes cedem e desabam sobre ti. A segunda hipótese e por muito estranha que pareça é a maior causa de morte de um sonhador mas também o salto para a realização. Trata-se de enfrentar a chuvada e rajadas de frustrações que te vão enchendo o fosso até ao topo, o que se torna uma forma de saída para os bons nadadores que resistem e vão boiando até se agarrarem à margem.
"Porra, já parti mais uma pá!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:00
quinta-feira, outubro 15
Dá-me esse espaço que fica entre a minha boca e a tua.
Esse espaço que não é quantificável mas que fica maior e mais cheio à medida que os meus lábios se aproximam dos teus.
"Obrigado, o prazer foi todo meu!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:49
Exemplos
Tio Oscar, eu quero acordar com uma cara diferente!
Eu quero ter coragem para ser louco e quero ter destreza para ser homem. Eu quero acordar não com um espelho mas com uma folha em branco no rosto, onde os outros possam esborratar as suas alegrias, onde os outros me pintem uma cara bonita.
Tio Oscar, eu quero acordar com uma face mais parecida com a tua!
A esperança era o símbolo da tua loucura. O mundo via isso no teu sorriso, sorriso esse que partilhavas com a morte que te visitava tantas vezes. E tantas vezes te partiu os dentes essa puta egoísta e desdentada.
Tio Oscar, eu quero acordar e saber que rosto vejo eu quando me olho ao espelho!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 15:27
domingo, julho 19
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:39
segunda-feira, junho 29
Para a próxima vê lá se omites alguma coisa desta obra literária ou isto deixa de ser um romance e torna-se em um manual de uma qualquer máquina de lavar roupa.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 13:39
domingo, junho 28
O desejo de ser desejado
Juntem-lhe a seguinte frase e podem sempre tornar a cena mais romântica: "Vá lá, podes-me foder e eu nem preciso de saber o teu nome!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:40
sexta-feira, dezembro 12
"Eu quero pôr o observador num terreno pouco seguro, para que tenha que se reconsiderar a si próprio e às suas circunstâncias"
Vito Acconci
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 18:30
terça-feira, outubro 7
Empregada de limpeza, precisa-se...
Preferia dizer que o carácter que te distingue como pessoa está neste momento de cara limpa. Assim tenho de ficar com o lenço na mão à espera que vejas a linda figura que andas a fazer!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:59
segunda-feira, outubro 6
1cigarro e umas garrafas de vinho depois...
... Match point (Woody Allen)! And we're back on the writhing again...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:16
quinta-feira, maio 22
Uma mistura de azeite e água
Eu sempre gostei da verdade nua e crua! O que é que foi, nunca ficaram com a piça toda esfarrapada?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 23:15
domingo, abril 20
"Perigo, em obras!"
Acreditem, eu gosto de percorrer a maravilhosa auto-estrada da comunicação mas que se destaque este pensamento: existem portagens que eu não me interesso puto pagar! Por outro lado existem algumas que eu adoraria poder pagar, pois mesmo nos momentos em que tenho dinheiro, a puta língua parece que ficou sem combustível e não há maneira de a por a andar! Já nem vou falar das vezes em que o pavimento está cheio de buracos...
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:16
"Hi Mr. Waits! I'm wondering if I might call you Brotha?"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:13
domingo, abril 13
“Vem comigo”, disse ela!
Queria lhe dizer que não me apetecia, que tinha acabado de chegar de viagem e que a última coisa que queria fazer era andar ao ver se me apanhas com ela. No entanto a curiosidade não me deixou! Puxou-me da cama com as suas mãos meigas e fez-me uma festa na cara. Nem reparei que ela também ali estava conosco naquele quarto. Ao lado da senhora tristeza fica tão pequenina e frágil que é impossível negar-lhe alguma coisa. Fico sempre com vontade de a abraçar, de a beijar, de a mimar, quando a vejo!
Lá partimos os três. À frente ia a senhora tristeza com o seu passo acelerado, seguida da linda curiosidade aos saltos e a cantarolar algo que não me era estranho mas que eu não conseguia entender bem devido à distância que existia entre mim e ela.
Fui o último a chegar, claro está! Fiquei surpreso quando olhei para aquele cenário. Não contava nada que fosse aquele o sítio onde a senhora tristeza me queria trazer.
“Observa bem!”
Estávamos no passado, na tua cozinha. Nela estavas tu e ele. As palavras voavam em círculo em cima das vossas cabeças. Eu adoro-te, Gosto muito de ti, Fascinas-me, O que era de mim sem ti? Tocavas-lhe no cabelo enquanto roçavas a tua face na sua cara meiga, escondida por baixo daquela barba lisa e fraca que tanto gostavas. E que ainda gostas.
“És tão fofo, sabias?” - dizias tu.
Olhei para a Senhora tristeza. Não precisou de abrir a boca. Percebi exactamente porque é que ela me trouxera ali. O que sou eu para ti? De que maneira é que te preencho? Como é que uma caixa vazia como eu te pode fascinar?
De repente deixei de conseguir ouvir os meus pensamentos. Começou a chover. Sei que a senhora tristeza aproveitou para se desfazer em lágrimas e confundiu-se com a chuva que caia com força na minha cabeça. Da curiosidade não existia nem rasto. Presumo que tivesse ido jogar à macaca com alguém. Ficara ali sem conseguir pensar e sem ninguém para me levar a casa. Não conseguia ver nada à minha frente. Decidi ficar quieto na esperança de aquilo ser tudo esquema do Lorde Ciúme!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 21:03
"Queria um bilhete só de ida se faz favor!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 20:04
sexta-feira, março 28
domingo, março 16
Ainda bem que Ele não disse: "João, vem a mim!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:17
sexta-feira, março 14
Quando as mães nos vestem enquanto crianças...
Passados estes anos penso se alguma vez houve um projecto, se começaram pelos alicerces ou se construíram só umas paredes. Eu acho que tudo ficou pela roupa. Começaram a apertar os botões do casaco na casa errada e no final ficámos todos com um péssimo aspecto. Será que ainda temos tempo para vestir outra coisa?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:23
segunda-feira, março 10
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 22:07
sexta-feira, março 7
Formas geométricas
"Tu não és um quadrado, és um círculo. Tudo gira em torno do ponto em que é giro foderes-me a tola!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:09
terça-feira, fevereiro 19
"O cliente seguinte por favor!"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:49
sexta-feira, fevereiro 15
O que queres ser quando fores grande?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 21:59
segunda-feira, fevereiro 11
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:26
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:36
Justificações para o SER assim...(2)
"Todo o grande artista é, antes de tudo, um rigoroso crítico dos mestres que o precederam e aos quais se segue."
(in Arquitectura e crítica, de Josep Maria Montaner)
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:25
Justificações para o SER assim... (1)
"Mas a abstração, como observou Wlhelm Worringer e como lembrou Manfredo Tafuri, surge culturalmente do medo da realidade"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 00:23
quarta-feira, janeiro 30
Uma senhora de idade já avançada chama pela sua companheira freneticamente.
"Felicidade, Felicidade, onde estás? Preciso que me ajudes a levar isto para cima!"
Partilho da mesma aflição da senhora! Por onde andarás tu?
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 09:40
sábado, dezembro 29
Optimismo paternal
"A corrida não é para o ágil nem a batalha para o bravo. Todos estão à mercê das circunstâncias e da sorte!"
(Munich, conversa entre o "papá" e a personagem principal)
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 14:23
quinta-feira, dezembro 27
A contas com a felicidade!
Ora, fazendo contas à vida: 3-15, nove vezes fora nada.
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:22
Podia dizer que é pela bela forma física, talvez pelos os olhos, ou mesmo pelo corte de cabelo, mas não é! É por um conjunto de coisas que fazem uma atitude!Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:15
Continuo a olhar directamente para o espelho e aguardo. Continuo à espera que a pessoa que está à minha frente deixe de gozar com a minha cara, ao imitar todos os mesmos gestos, e talvez se decida a dar uma resposta, uma resposta que espero à já alguns dias!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 17:01
segunda-feira, dezembro 17
Confiar: "Ter confiança, acreditar, entregar ou comunicar alguma coisa a alguém sem receio de a perder ou sofrer dano; revelar; transmitir."
É inegável! Eu sou um camelo que por vezes acredita que só existem pessoas puras neste mundo e cometo o erro de confiar em algumas que não devia. Nestes últimos dias tenho reflectido sobre o caso e decidi fazer uma lista de quem não confiaria plenamente e quem talvez ponderá-se no caso.
Quem nunca confiaria:
. Um qualquer padre - Estes gajos são uns filhos da puta. Até nas confissões se põem com merdas de que Deus também está a ouvir. Não, definitivamente;
. Nas paredes - Toda já o dizia que "O meu amor nem às paredes confesso". Desde que li na Super Interessante que já existem câmaras de filmar do tamanho de pequenos insectos fico sempre na dúvida, até porque o meu quarto está sempre cheio de melgas do tamanho de elefantes;
. No meu futuro sogro - Era obrigado a partilhar grande parte das minha amantes para o cabrão não se bufar ou começar a ver os jogos de futebol com ele.
Quem talvez confiaria:
. No meu cão - Podemos dizer tudo ao animal. Mesmo que este se ponha para aí a ladrar aos quatro cantos do mundo são poucos aqueles que o entendem;
. Na minha futura sogra - Surpreendente não é? Isto são das lavagens cerebrais que levamos quando somos pequenos, aquando das primeiras histórias sobre o Abominável Homem das Neves, Lobo Mau ou o Papão. Normalmente contadas pelo o avô em que este, no final do conto e com a sua ternurenta voz, nos convence que afinal estas personagens até são porreiras.É por causas destas merdas que um gajo já não se assusta com muito;
. No Pai Natal - Porque eu não tenho a certeza se ele existe ou não!
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:33
Ejaculação precoce
Só resta dizer: "Tão e essa rapidinha ah?"
Publicada por João, o subtil descarado à(s) 01:13







